Com o título “A casa dos pais já não é a mesma”, eis artigo de Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. ”
Uma das coisas de que mais gosto é conviver com pessoas de diferentes gerações.
Tenho amigas da idade da minha mãe. Aliás, ela é minha melhor amiga. Algumas delas já passaram dos 80 anos. Ao mesmo tempo, mantenho contato com muitos jovens.
Quase sempre, nos cursos que faço, a maioria dos colegas é formada por adolescentes.
Esse encontro geracional sempre me faz bem. Os mais velhos me ensinam a relativizar os problemas. Já os mais novos não aceitam respostas prontas. É ótimo ouvi-los. Às vezes eles enxergam coisas que passam despercebidas para mim.
Foi dessa convivência que comecei a perceber uma mudança. Ultimamente, muitos têm ficado mais tempo na casa dos pais. Outros saíram, passaram uma temporada morando sozinhos e estão voltando.
Não é difícil entender por quê. Basta olhar as contas. O aluguel consome uma parte enorme do salário e, quando aparecem condomínio, energia, supermercado, internet e tantas outras despesas, morar sozinho deixa de parecer um símbolo de independência para virar um exercício diário de sobrevivência.
Na minha geração, sair de casa era quase um rito de passagem. Quem retornava costumava carregar a sensação de que alguma coisa tinha dado errado. Hoje isso parece pesar muito menos. Residir com a família deixou de ser motivo de constrangimento para muita gente.
Também mudou a relação entre pais e filhos. Em muitas famílias, eles dividem as despesas, as tarefas e fazem companhia uns aos outros.
Estar perto de pessoas de diferentes idades me faz enxergar novas formas de viver. No fim das contas, talvez eu aprenda tanto com eles quanto eles aprendam comigo.
*Suzete Nocrato
Jornalista e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.