“A economia do ócio” – Por Joaquim Cartaxo

Joaquim Cartaxo é o superintendente do Sebrae/CE. Foto: Tapis Rouge

Com o titulo “A economia do ócio”, eis artigo de Joaquim Cartaxo, arquiteto urbanista e superintendente do  Sebrae do Ceará. “O ócio, criativo e produtivo, redefine o lugar do trabalho e concebe que a produção tem o objetivo de atender às necessidades humanas e não só expandir jornadas. A produção de riqueza depende do equilíbrio entre reflexão, criação, esforço e convivência”, expõe o articulista.

Confira:

No contexto da revolução tecnológica, a sociedade pós-industrial continua em intensa transformação, com destaque para a produção de bens imateriais, relacionados à estética, informações, símbolos, serviços, valores, ideias, dentre outros. Nesse sentido, surgiu a chamada economia do ócio, proposta por Domenico De Masi, na qual trabalho, estudo e tempo livre constituem uma interseção na vida social sob novas formas de criação econômica.

Portanto, o ócio não representa ausência de atividade, mas um tempo para elaborar ideias, circular saberes e produzir simbólica e concretamente. De Masi relaciona esse processo à redução do peso do trabalho repetitivo, ao avanço de sistemas técnicos e à ampliação de atividades baseadas em informação, cultura e serviços. O autor lembra que a economia é “incremento do ócio”, visando mais e melhores resultados com menos esforço e define a economia como “arte de ociar”.

Ao deslocar o valor econômico da força física para a capacidade intelectual, a economia do ócio altera padrões de organização socioprodutiva e do uso do tempo. O valor econômico produzido pelo ócio está na geração de ideias que alimentam planejamento, inovação e decisão.

O ócio, criativo e produtivo, redefine o lugar do trabalho e concebe que a produção tem o objetivo de atender às necessidades humanas e não só expandir jornadas. A produção de riqueza depende do equilíbrio entre reflexão, criação, esforço e convivência.

No primeiro quarto do século 21, cresceram os desafios quanto à distribuição de renda, reconhecimento social e organização do trabalho. A economia do ócio oferece um referencial para compreender a reorganização do trabalho e da produção de valor em uma sociedade marcada pela circulação de informação e pela centralidade das ideias. O ócio qualifica a capacidade criativa e fortalece o pensamento crítico, para sustentar formas de trabalho produtivas mais humanas e equilibradas.

*Joaquim Cartaxo

Arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae do Ceará.

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