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“A Estupidez Juridificada: Quando o Dogma Vence” – Por Sabino Henrique

Sabino Henrique é jornalista, advogado e editor do site direitoce.com.br

Com o título “A Estupidez Juridificada: Quando o Dogma Vence”, eis artigo de Sabino Henrique, advogado e jornalista. “Quando o dogma ideológico substitui a técnica jurídica, o próprio pacto federativo e as garantias fundamentais são colocados em xeque. Advogados, juízes e defensores públicos enfrentam diariamente o desafio de operar em um sistema onde a gritaria das redes sociais tenta pautar o devido processo legal e constranger a independência judicial”, expõe o articulista.

Confira:

A estupidez política não se limita ao comportamento do eleitorado; ela frequentemente escala até as instâncias de poder e contamina a própria produção legislativa e a aplicação do Direito. No cenário atual que antecede o pleito de 2026, assistimos à tentativa sistemática de instrumentalizar a Constituição e as leis para atender a dogmas ideológicos de ocasião. Projetos de lei flagrantemente inconstitucionais são propostos e aprovados em assembleias legislativas e câmaras municipais apenas para gerar engajamento digital e alimentar bolhas de indignação nas redes sociais. Trata-se da “estupidez juridificada”: o uso da máquina pública para produzir normas inúteis que sobrecarregam o Judiciário e geram insegurança jurídica

.Quando o dogma ideológico substitui a técnica jurídica, o próprio pacto federativo e as garantias fundamentais são colocados em xeque. Advogados, juízes e defensores públicos enfrentam diariamente o desafio de operar em um sistema onde a gritaria das redes sociais tenta pautar o devido processo legal e constranger a independência judicial.

No Ceará, a defesa das prerrogativas da advocacia e a manutenção da estabilidade das decisões judiciais são barreiras indispensáveis contra essa onda de irracionalidade. O Direito é uma ciência humanista e técnica que exige ponderação, contraditório e respeito aos fatos; ele não pode se curvar à estupidez de quem prefere o aplauso fácil da manada à solidez da ordem constitucional. Essa degradação do debate legislativo tem um custo financeiro e social imenso. Cada lei inconstitucional aprovada exige a mobilização de recursos do Ministério Público, da Defensoria e do Tribunal de Justiça para sua posterior anulação por meio de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs). Em vez de focar em soluções para a segurança pública, saúde e educação do povo cearense, o parlamento se transforma em um palco de teatro político.

A advocacia, como guardiã da Constituição, deve liderar a resistência técnica contra essa juridificação da ignorância, exigindo que a produção de leis volte a respeitar os limites formais e materiais da nossa Carta Magna.

*Sabino Henrique

Advogado e jornalista.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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