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“A face oculta do poder” – Por Djalma Pinto

Djalma Pinto é advogado e especialista em Direito Eleitoral. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “A face oculta do poder”, eis artigo de Djalma Pinto, advogado, escritor e especialista em Direito Eleitoral. “O poder expõe as melhores e as piores potencialidades do ser humano. O segredo para as sociedades não serem submetidas às atrocidades de quem o exerce, é qualificar todas as pessoas para que, uma vez nele investidas, tenham a compreensão de que ele se destina, exclusivamente, à realização do bem comum”, expõe o articulista.

Confira:

A megalomania é uma doença comum naqueles que exercem o poder. Dela padeceram Nero, Calígula, Napoleão, Hitler e Stalin. Stalin, com medo de perder o comando de seu país, mandou matar todos os companheiros de revolução, inclusive
Trótski, o grande responsável pelo sucesso da implantação do comunismo na URSS.

A superioridade institucional de quem dirige o Estado estimula os governantes a promoverem a exaltação de sua personalidade, seduzindo-os para torná-los megalômanos.

O poder expõe as melhores e as piores potencialidades do ser humano. O segredo para as sociedades não serem submetidas às atrocidades de quem o exerce, é qualificar todas as pessoas para que, uma vez nele investidas, tenham a compreensão de que ele se destina, exclusivamente, à realização do bem comum. Deve ser exercido sempre com observância da lei votada pelos representantes do povo, jamais para favorecimento pessoal. É efêmero, somente assegurando lembrança positiva na história àqueles que o exerceram com dignidade, servindo de referência para as futuras gerações.

Os cortesões costumam colocar governantes em maus lençóis por deixa-los à margem da realidade e das situações preocupantes, que acabam provocando a sua derrocada.

Como constata Edgar Morin, “a sede de poder é uma aspiração obsessiva que pode levar ao crime e à loucura”. A grandeza de espírito e a permanente busca do melhor para os seus governados por isso tornaram estes estadistas eternamente lembrados pela história: Abraham Lincoln, responsável pela abolição da escravidão nos EUA e pela preservação da união durante a Guerra Civil americana de 1861 a 1865; Wiston Churchill, Primeiro-ministro inglês, com desempenho fundamental na luta contra Hitler; Nelson Mandela, Presidente negro da África do Sul, que lutou
contra o Apartheid, tornando-se símbolo pela capacidade de fazer a reconciliação de um povo.

Em todas essas personalidades há um traço comum, o desapego pelo dinheiro, o repúdio pela fortuna conquistada por meio do cargo ocupado e a preocupação ininterrupta em servir ao povo que a eles delegou a condução do seu destino.

Não buscaram a perpetuação no poder nem o utilizaram para seu favorecimento ou de parentes. As frequentes distorções praticadas por aqueles que o exercem, na sociedade contemporânea, deixam patente a falta de qualificação para o seu desempenho.

Essa deficiência decorre, em última análise, da ausência de educação para a cidadania que deve buscar sedimentar, em cada indivíduo, a compreensão de que o poder se destina à satisfação do interesse coletivo. Não pode ser tolerado de seus ocupantes o desvio de finalidade no seu exercício, muito menos a apropriação indevida de dinheiro da população. Esses estigmas procuram ser ocultados de forma engenhosa. Uma vez descobertos, mas sem reação eficaz, provocam pobreza e crescentes desigualdades, deteriorando a convivência entre as pessoas.

*Djalma Pinto

Advogado e autor de diversos livros, entre os quais, “Educação para a Integridade”, “O Direito e o Comprovante Impresso do Voto”, “Marketing, Política e Sociedade”, “Distorções do Poder” e “Cidade da Juventude”.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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