“A Hora Certa para Adesões e Fugas Convenientes” – Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Paulo Elpídio de Menezes Neto é cientista político, professor e escritor, além de ex-reitor da UFC.

Com o título “A Hora Certa para Adesões e Fugas Convenientes”, eis artigo de Paulo Elpídio de Menezes Neto, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará. “

Não abandono a causa que defendo nos dias dos seus perigos, da sua fraqueza; deixo-a no dia em que é tão seguro o seu triunfo que até o excesso a compromete”, Raymundo Faoro – “Os Donos do Poder -Formação do Patronato Político Brasileiro”, Editora Globo, 1958.

Confira:

Conquanto, não obstante, entretanto, porém, embora. Mas…

As conjunções concessivas servem de bengala às criaturas convenientes e inseguras. Os que não põem o pé à frente, sem uma salvaguarda útil, não acançam seus objetivos sem os cuidados necessários.

A ambiguidade tranquilizadora. Diz-se “estar em cima do muro” da indecisão protetora que pode levar a uma adesão inoportuna. Não assumir nenhuma posição que não possa ser revista é regra de ouro na política e nos negócios.

Os que defendem a liberdade “responsável”. A democracia “relativa” dos progressistas. OS “apolíticos” de toda ordem.

Os ratos que abandonam o barco em fuga abalada diante do naufrágio pressentido, sem, contudo, roer a corda, fazem-no por prudência: “sabe-se lá o que poderá acontecer?”

Alguns “lulistas” arrependidos admitem que no primeiro governo do ciclo fundador havia mais consistência ideológica do que agora. Há, certamente, os mais confiantes que emprestam a sua solidariedade bem temperada, mais consistentes e duradouras, à vista das incertezas do futuro.

De bolsonaristas catadores de mitos, por outro lado, começam a encontrar-se contradições nas falas desconjuntadas dos teóricos em torno de uma ficção mal construída de uma direita imaginária.

Nada mais parecido com os ímpetos autoritários dessa gente do que o atraso epistemológico que a anima diante de uma frágil consciência politica e ética sobre os desafios do poder.

Tudo isso são sintomas do desvio avançado de um experimento democrático que foge da possibilidade de transformar-se, deveras, em uma democracia.

*Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará.

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