“Os presentes oferecidos ao Menino Jesus possuem profundo significado teológico. O ouro, reconhecendo Jesus como Rei; o incenso, proclamando sua divindade; a mirra, anunciando seu sofrimento e sacrifício redentor”, aponta o jornalista e poeta Barros Alves
Confira:
O dia 6 de janeiro, solenidade da Epifania do Senhor, ocupa um lugar especial na tradição cristã. Nessa data, a Igreja celebra a manifestação de Jesus Cristo ao mundo, representada de modo particular pela visita dos Santos Reis Magos ao Menino Deus. A lembrança piedosa dos Santos Reis não é apenas um elemento folclórico ou cultural, mas uma profunda expressão de fé, doutrina e identidade cristã, transmitida ao longo dos séculos.
A Festa dos Santos Reis tem sua origem nos primeiros séculos do Cristianismo, ligada diretamente à Epifania, termo de origem grega (epipháneia), que significa “manifestação” ou “aparição”. O Evangelho de São Mateus (Mt 2.1–12) narra a visita dos Magos do Oriente que, guiados por uma estrela, chegam a Belém para adorar o recém-nascido Rei dos Judeus.
Desde a Antiguidade cristã, a Igreja reconheceu nesse episódio uma verdade central da fé, qual seja a de que Cristo não veio apenas para Israel, mas para todas as nações. Os Reis Magos representam os povos pagãos que reconhecem em Jesus o verdadeiro Rei e Salvador, antecipando a universalidade da Igreja.
Na tradição católica, os Santos Reis simbolizam a busca sincera pela verdade, a humildade diante de Deus e a obediência à graça divina. Eles são frequentemente representados como reis para expressar que até os poderosos da terra devem se curvar diante de Cristo.
Os presentes oferecidos ao Menino Jesus possuem profundo significado teológico. O ouro, reconhecendo Jesus como Rei; o incenso, proclamando sua divindade; a mirra, anunciando seu sofrimento e sacrifício redentor.
A piedade popular, expressa em procissões, cânticos, presépios e celebrações como a Folia de Reis, ajuda a transmitir essas verdades de forma viva e acessível, especialmente às novas gerações.
Embora o Evangelho não mencione seus nomes, a tradição cristã, consolidada ao longo dos séculos, identifica os três Reis Magos como Melquior, geralmente representado como um rei idoso, associado à Europa; Gaspar, frequentemente retratado como jovem, ligado à Ásia; e Baltasar, comumente representado como africano, simbolizando a África. Essa representação reforça o caráter universal da salvação em Cristo, alcançando todos os povos, culturas e raças.
Preservar a lembrança piedosa dos Santos Reis é defender a memória cristã, a identidade cultural e os valores espirituais que moldaram a civilização ocidental. Em um mundo marcado pelo secularismo e pelo esquecimento das raízes religiosas, tais tradições funcionam como verdadeiros instrumentos de evangelização, catequese e resistência cultural.
Mais do que uma celebração do passado, a Festa dos Santos Reis convida os fiéis, hoje, a imitar sua atitude: buscar Cristo com perseverança, adorá-Lo com humildade e oferecer-Lhe o melhor de si. Manter viva essa tradição é afirmar que a fé cristã não pertence apenas à história, mas continua a iluminar o presente e a orientar o futuro.
Assim, no dia 6 de janeiro, ao recordar os Santos Reis, a Igreja reafirma sua missão universal e convida cada cristão a reconhecer que Jesus Cristo é o verdadeiro Rei dos reis e Senhor da história.
Barros Alves é jornalista e poeta