Há projetos que oferecem cursos, outros oferecem oportunidades e poucos oferecem futuro. O Laboratório de Jovens Escritores, lançado pela Rede Cuca, parece caminhar exatamente nessa direção: formar, acompanhar, editar e, sobretudo, publicar.
A iniciativa da Secretaria da Juventude de Fortaleza será lançada hoje, dia 25 de fevereiro, com uma proposta que vai além da oficina eventual. Serão quatro meses de formação no primeiro semestre de 2026, com módulos em literatura e escrita criativa, poesia, conto e romance. Trinta jovens, de 15 a 29 anos — e até 35, no caso de pessoas com deficiência — terão a chance de mergulhar na própria voz. Ao final dessa primeira etapa, dez serão selecionados para publicar seus livros.
Publicar é ponto de chegada na jornada — e, ao mesmo tempo, de partida. É aí que muita coisa começa.
A curadoria e coordenação pedagógica é da escritora Ana Márcia Diógenes, que há anos transita entre a criação e a formação literária. “Vejo neste projeto a realização de um desejo antigo de levar a possibilidade da escrita para o público jovem. Quantas pessoas não gostariam de ter tido a chance de começar a escrever nesta idade?”, provoca.
Ela reforça que o laboratório nasce com uma proposta completa: da formação à edição. “Um projeto desafiador e focado no desenvolvimento da voz autoral de cada participante.”
Na coordenação executiva, Janaína Barros destaca o alcance da iniciativa: “É uma iniciativa completa, que abrange todas as etapas da produção literária e garante que o jovem inicie sua carreira como escritor, inspirando outros jovens que têm interesse em publicar suas próprias obras.”
O desenho do projeto é ambicioso e cuidadoso. Após a primeira fase formativa, os dez selecionados seguem para mentoria individual entre agosto e setembro. Outubro e novembro serão dedicados à edição dos livros. Cada jovem receberá cerca de duzentos exemplares para comercialização. Não é apenas simbólico: é inserção real no mercado. Segurar firme a própria obra com as mãos é algo inesquecível e transformador.
Os nomes que conduzirão as formações já revelam a seriedade da proposta: Luciana Braga e Ana Márcia Diógenes (Literatura e Escrita Criativa), Kinaya Black (Conto), Marília Lovatel (Romance) e Argentina Castro (Poesia).
Marcelino Freire e Vanessa Passos em Fortaleza
E como literatura também se faz de encontro, o projeto inclui aulas-show abertas à comunidade. Já estão confirmados Marcelino Freire (8 de abril) e Vanessa Passos (6 de maio), sempre acompanhados de performances artísticas. No segundo semestre, os encontros voltam-se ao mercado editorial e aos bastidores da publicação.
A bibliotecária do Cuca, Kátia Rabelo, resume o que talvez seja o coração da proposta: “Ele atua como uma ponte, conectando juventude, literatura e escrita. É um convite para que cada jovem tenha sua voz e seu trabalho reconhecidos.”
Vivemos tempos em que escrever virou hábito instantâneo, mas publicar continua sendo uma boa travessia. O Laboratório de Jovens Escritores reconhece que talento precisa de estrutura, orientação e política pública. E mais: reconhece que juventude não é promessa — é potência presente.
No fim do ano, quando os dez livros forem lançados coletivamente, talvez não estejamos apenas celebrando novos autores, estaremos celebrando algo maior: o direito de jovens escrever a própria história.
Fui dar uma olhada nas postagens e o que mais vi foi comentários assim (e faço minhas as mesmas palavras):
– “Pena que é só pra quem tem até 29 anos 😢. Queria essa oportunidade dois anos atrás”
– “Que massa. Dá até vontade de voltar a ser jovem só pra participar. Fico muito feliz de ver a literatura voltando aos Cucas. A juventude periférica de Fortaleza tem uma contribuição gigante a dar para a cena literária brasileira”.
Aproveitem, Xófens!
Vai ser um prazer divulgar essa publicação aqui no Cafezim com Literatura.
“Margem da Palavra” estreia no Centro Dragão do Mar com Lira Neto e DJ Dolores
Ação integrada entre CDMAC e Bece valoriza a palavra escrita e os saberes
de tradição oral
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) e a Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece), lançam, dia 25 de fevereiro de 2026, a primeira edição do projeto Margem da Palavra, ação integrada que propõe encontros mensais em torno da literatura e da oralitude, unindo ditos e escritos como estratégia de ampliação das possibilidades de leitura de mundo, a partir da intersecção da palavra com outras linguagens. Para a estreia, os convidados são o jornalista e biógrafo Lira Neto e o músico, pesquisador e multiartista DJ Dolores. A partir de 19h, a dupla conversa no Minianfiteatro do CDMAC, justamente o espaço localizado entre os dois equipamentos parceiros e vizinhos, uma “terceira margem do rio” de uso comum, espécie de ágora contemporânea agora dedicada à escuta e confluência de vozes.
Na proa do diálogo, a figura seminal de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, Rei do Baião, pedra fundamental da música nordestina. De volta a Fortaleza, é a primeira vez que o biógrafo cearense Lira Neto fala em público sobre o seu mais novo biografado, antecipando desafios e descobertas de uma pesquisa ainda em curso. E não à toa o papo é com quem conhece Pernambuco e Exu, berços de Gonzaga, como parte vital e singular de um Brasil profundo: DJ Dolores vem encorpar o evento lítero-musical não só trocando ideias sobre as matizes da música popular brasileira, nas encruzas do frevo com o baião, como também discotecando durante e após o debate.
Com total abertura para arranjos diversos, o projeto Margem da Palavra acolhe aulas públicas, rodas de conversa, lançamentos literários, debates, performances e/ou eventos lítero-musicais, ganhando forma a partir do alinhamento entre as equipes do CDMAC e da Bece, que definem os temas e as duplas convidadas.
Margem da Palavra
Data: 25 de fevereiro de 2026
Horário: 19h
Local: Minianfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC)
Convidados: Lira Neto e DJ Dolores
Mediação: Ethel de Paula
Entrada gratuita
Prêmio Saramago de Literatura
Publicamos, na semana passada, uma reflexão sobre a limitação etária do Prêmio José Saramago. Lembram a polêmica?
Como o jornalismo me ensinou, fui atrás de ouvir o outro lado…. A organização do prêmio me enviou um comunicado que divido com vocês, Leitores.
Estimada Mirelle Costa,
Agradecemos o seu contacto e o interesse no Prémio Literário José Saramago.
Em 1998 José Saramago venceu o Prémio Nobel da Literatura, para celebrar esse acontecimento, foi instituído pela Fundação Círculo de Leitores o prémio literário que leva o seu nome. A primeira edição ocorreu em 1999 e na altura, destinava-se a jovens escritores até 35 anos de idade. José Saramago defendeu que o prémio era um incentivo a que os jovens autores pudessem dedicar-se à escrita, dando-lhes a oportunidade que ele próprio não teve.
Este Prémio, que homenageia José Saramago, respeita essa vontade desde a primeira edição, tendo ajudado jovens autores que hoje têm reconhecimento nacional e internacional.
Dada a realidade social atual, e mantendo o espírito que norteou a sua criação, a entidade organizadora deste prémio ajustou as condições de candidatura, tendo, em 2022, alargado o limite de idade até aos 40 anos. Acreditamos que com esta medida as oportunidades serão ainda maiores para todos aqueles que procuram na Literatura o seu futuro e a sua vida.
Cumprimentos,
Comunicação PLJS