Com o título “A mensagem não dita da Artemis II”, eis artigo de Mauro Oliveira, professor doIFCE, PhD em informática por Sorbonne University e ex-secretário nacional de Telecomunicaçoes do Ministério das Comunicações.
(escrito antes das 21h, em 07/abr/26)
Confira
Em dezembro de 1968, na véspera de Natal, três homens, Frank Borman, Jim Lovell e William Anders, olharam para a Terra de fora dela, na missão Apollo VIII.
E leram, com uma serenidade que hoje nos falta, o início de Gênesis:
“No princípio, Deus criou os céus e a Terra…”
Era a humanidade tentando se explicar diante do infinito.
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07 de abril de 2026.
Antes das 21h de Brasília.
Antes do mundo saber o que ainda não sabe.
Quatro astronautas da missão Artemis II retornam à Terra.
E o que escutam não vem do espaço.
Vem daqui.
Uma voz rouca, terrestre, inflada de poder e vazia de limite, voz de um desses reis nus que ninguém consegue deter, nem mesmo aqueles que o coroaram… irrompe no ar.
A voz chega do Cabo Canaveral, via Banda Ka (26–40 GHz), com a “profética mensagem”
“Uma civilização inteira vai morrer.”
Seria apenas trágico…
se não fosse obscenamente sórdido.
O terráqueo com nome de pato (perdoem-me a alegoria, nobres bípedes da família Anatidae)
não vocifera sozinho.
Antes dele, seu arauto, Pete Falastrão, já havia elevado o absurdo ao nível do sagrado:
rezou para que cada projétil encontrasse seu alvo e pediu vitória contra aqueles que, segundo ele, “não merecem misericórdia”.
Deus, agora, virou operador de míssil guiado.
Sim, estou injuriado.
Não com vocês, meus amigos plebeus como eu, não convidados para os concertos Master, pagos com CDBs caldo de bila, onde “gregos e troianos” brindaram o colapso com espumante importado.
Minha injúria é com um planeta com a “boca escancarada, cheia de dentes… esperando o míssil chegar”. Mas vai passar …
Esse mesmo planeta que me recebeu, parido por Dona Gelita, sem dor, dizem as rezadeiras,
com alegria e muita reza.
É de lascar o cano neste planeta azul, países que, para provar sua suposta virilidade geopolítica, recorrem ao poder de massacre como linguagem de força.
Alguém haverá de ter a coragem de um Leão.
Mas não desses que medem sílabas em latim.
Um Leão que rompa o protocolo, rasgue o véu e diga, sem tradução simultânea:
“Deus recusa orações de quem tem as mãos sujas de sangue” .
Porque o desejo de dominar não cabe no Evangelho.
Nem cabe em qualquer civilização que ainda ouse se chamar humana.
Imagino o conflito íntimo de Leão XIV: entre a razão que enxerga e o coração que insiste em perdoar. Entre o que ecoa nos púlpitos e o que escuta nos bastidores.
E, enquanto isso, crianças morrem em escolas enquanto manchetes, cuidadosas,
tentam dar nome ao que já perdeu qualquer explicação.
Desde Júlio Verne já se sabe… (sabia, não? Vixe…) que viagens espaciais têm “Encontros Inesperados de Terceiro Grau”.
Mas ninguém avisou que, desta vez, o contato mais perturbador não viria de Marte. Viria de uma conversa do lado escondido da Lua:
Sim, durante aqueles 40 minutos de silêncio orbital, indiferente às nossas urgências, a Artemis II deslizou pelo lado oculto da Lua.
Longe de ruídos, longe das manchetes, longe da nossa pequena arrogância barulhenta.
Houve, sim, uma conversa.
Uma conversa não registrada pela NASA.
Mas perfeitamente audível para velhos conhecidos marcianos, já acostumados, aliás,
a observar civilizações em processo, digamos, de …
de autointerrupção.
O comandante da Artemis II que, num gesto antigo de amor, batizara uma cratera com o nome da esposa, depois de ouvir a mensagem da Terra, olhou para o “vazio de um planeta” lá fora … e depois para dentro.
Amparado pelo silêncio solidário dos outros três, como quem entende que certas verdades
não pertencem a um homem, mas a uma espécie inteira, ele disse!
Antes das 21h, antes do mundo confirmar que já passou da hora, ele disse …
A mensagem não dita da Artemis II …
Que vergonha, terráqueos.
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*Mauro Oliveira
Para facilitar, segue o meu passaporte: FF 898713
Não piso em “NYC e adjacências” enquanto a irracionalidade humana ocupar “o trono” … (NO KINGS).
Uma resposta
Que vergonha, terráqueo. Dará q o sentimento de vergonha é um sinal de resquício de valores éticos de experiencia do limite? Será que sinaliza um ” ainda dá tempo”?