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“A obsessividade dos coaches”

Francisco Caminha, cronista e ex-deputado. Foto: ALCE

Com o título “A obsessividade dos coaches”, o escritor F.J.Caminha avalia o espetáculo de promessas falaciosas. Confira:

Na década de 70 uma moda mundial foi a divulgação de pessoas paranormais que moviam objetos, entortavam facas e colheres nos espetáculos televisivos. O mais famoso deles foi um charlatão judeu chamado Uri Geller. Ele foi considerado o maior paranormal da época. Eu mesmo influenciado pelo modismo tentei pelo força do pensamento entortar e mover objetos com um total fracasso. Aí conclui que não tinha esse dom.

Quando o Geller estava no alto da fama foi num famoso programa da TV americana. Na hora que a secretária do paranormal entregou os garfos e as colheres, o jornalista discretamente fez a produção trocar por talheres verdadeiros, e assim foi descoberto que os objetos do Geller eram alterados com uma liga flexível ao toque. Foi desmascarado e caiu em desgraça, mas já estava várias vezes milionário, já que cobrava muito dinheiro para se apresentar nos espetáculos em teatros e shows na TV e escreveu um livro dos mais vendidos. Até aqui no nosso país apareceu uma versão brasileira de um paranormal. Era um mineiro chamado Thomas Morton, homem do Rá, que entortava talheres e outras coisas mais.

Passada essa onda de paranormais e dos cursos de controle mental e hipnose. Veio uma marola de neurolinguística, de análise transacional e de inteligência emocional e depois passou.

Aí chegou a internet e apareceu o “swell” do coaching. Os coaches hoje prometem prosperidade, saúde, dinheiro, fama e sucesso. A mesma coisa que as pregações neopentecostais importadas dos norte-americanos que prostituíram muitas igrejas evangélicas no Brasil com  a tal Teologia da Prosperidade maculando as mensagens do Cristo.

Agora surgem os coaches com seus cursos virtuais e presenciais prometendo uma vida próspera, sem desconsiderar que muitos deles criam pirâmides financeiras ou são cúmplices de golpes quando não os autores.

Encantadores nos palcos da virtualidade prometem um transformação de vida em três dias para quem participar. Esses treinamentos mágicos estão no patamar de mais de R$ 5.000 cada inscrição. Em horas de indução indo madrugada adentro os participantes ficam adestrados a comprar mais e empolgados com o espetáculo lúdico catártico embrulhado de retórica, música, som e iluminação. Eu garanto que a pessoa muda mesmo. A transformação dura não mais de 10 dias, até passar o efeito da dose endorfina emocional, aí caem na real que nada mudou. A não ser que você passe também a ser um coaching. Se conseguir clientes, você muda de vida com o dinheiro dos outros ou se torne um distribuidor desses conteúdos deles e que capte mais clientes. Essa onda é espécie de pirâmide financeira psicológica.

Um charlatão tem sucesso financeiro ensinando a outros a caminho do sucesso. Ou seja, arrecadar grana com promessas falaciosas.

Esses ilusionistas são excelentes oradores. Vendem desde pulseira do equilíbrio até colchão quântico. Eu estou na mira deles no Google, basta eu ligar o celular que aparece um que ensina como ganhar mais de R$ 100.000,00 a cada 7 dias, outro leciona um método batizado com alguma sigla que garante prosperidade próspero e a cura dos  traumas de infância em 3 dias. Outro me oferece um curso de coaching com reprogramação de DNA, um outro mais de coaching quântico e um do Distrito Federal apresenta-me o método dele denominado de Coaching Messiânico. Um diz que faturou esse ano que se finda mais R$ 250 milhões de reais vendendo um método de prosperidade.
Isso é um tipo de culto ao dinheiro, uma ostentação a beleza e a fama.

De vez em quando ainda tento com a força do pensamento entortar talheres ou ganhar na Mega-Sena, mas continuo sem êxito, mas registro que tenho habilidades paranormais, mas estas as guardo para a minha intimidade. Aguardo agora a próxima onda. Já está surgindo o “Neurocoaching quântico”. Uma salada mista, tipo “banana split”, uma porção do sorvete da Teologia da Prosperidade, com a banana caramalezida do coaching e fragmentos de retórica da calda dos morangos da neurociência e enfeitado com a cereja de alguns conceitos elementares da física quântica.
Meu amigo, tudo isso para dizer que a obsessão neurótica deles é a ganância por grana.

F.J.Caminha é escritor e ex-deputado estadual

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