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“A régua que não pode entortar” – Por Maurício Filizola

“É fácil defender princípios quando eles condenam nossos adversários”, aponta o empresário Maurício Filizola

Confira:

Há uma coisa curiosa na ética: ela só revela seu verdadeiro tamanho quando começa a custar alguma coisa.

É fácil defender princípios quando eles condenam nossos adversários. Difícil é mantê-los quando alcançam nossos amigos, nossos interesses ou aqueles em quem depositamos confiança.

Talvez seja por isso que o Brasil atravesse uma crise que vai muito além da política.

É uma crise de régua.

Criamos uma para medir quem está do outro lado e outra, mais flexível, para aqueles que estão próximos de nós. O erro do adversário vira escândalo. O do aliado ganha contexto. A suspeita contra quem rejeitamos exige investigação imediata. Contra quem admiramos, exige silêncio e prudência.

Mas princípio que muda conforme o personagem deixa de ser princípio.

Vira conveniência.

Pensei nisso observando as sucessivas crises que atingem nossas instituições. Governos, Congresso, Judiciário, empresas, partidos: nenhum espaço ocupado por seres humanos está imune ao erro.

Instituições fortes não são aquelas onde ninguém falha. São aquelas capazes de investigar seus próprios erros sem escolher previamente quem pode ou não ser alcançado.

A confiança funciona como um espelho.

Podemos limpá-lo muitas vezes. Mas, quando começamos a esconder suas rachaduras, chega um momento em que já não conseguimos reconhecer nossa própria imagem.

E talvez o maior perigo para uma democracia não seja descobrir que alguém poderoso errou.

É descobrir que existem pessoas poderosas demais para serem questionadas.

A ética não conhece sobrenomes, cargos, ideologias nem tribunais. Não pergunta quem indicou, quem votou ou de que lado alguém está.

Pergunta apenas: é correto?

Ao longo da vida empresarial, aprendi que reputação leva décadas para ser construída e pode começar a desaparecer numa única escolha. O mesmo acontece com instituições. Autoridade pode vir da Constituição. Respeito, não.

Respeito precisa ser conquistado todos os dias.

Estamos entrando em um período em que o Brasil discutirá novamente seu futuro. Haverá discursos, acusações, promessas e paixões. Talvez devêssemos acrescentar uma pergunta às que fazemos aos candidatos e às instituições:

A mesma régua vale para todos?

Porque uma sociedade começa a perder sua liberdade muito antes de perceber.

Começa quando aceita que algumas perguntas não podem ser feitas.

Quando prefere proteger pessoas a proteger princípios.

Quando o silêncio se torna mais confortável do que a verdade.

No fim, não precisamos escolher entre defender as instituições e fiscalizá-las.

Fiscalizá-las também é defendê-las.

Porque instituições passam por crises. Homens passam pelo poder.

Mas existe algo que uma sociedade não pode permitir que passe: a vergonha de fazer o que é errado.

Mauricio Filizola
Presidente da CDL de Fortaleza

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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