Com o título “Alerta aos desavisados”, eis artigo de Gilson Barbosa, jornalista e pesquisador. “Teremos, em 25 de outubro, uma eleição que definirá o futuro do país, o das novas gerações, o de todos nós. A influência de Washington sobre a América Latina sempre foi muito grande. E, agora, ampliou-se, tendo como principal mote o combate ao crime organizado, simpático a muitos eleitores”, expõe o articulista.
Confira:
Terminado o primeiro turno das eleições gerais, com a vitória de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por pouco mais de 2,2 milhões de votos, necessárias se fazem algumas reflexões. A vitória da direita no país deixou eufórico o presidente dos EUA, Donald J. Trump. A “doutrina Trump”, como a chamamos, segue a mesma lógica da célebre Doutrina Monroe, instituída pelo ex-presidente daquele país, James Monroe (1758-1831), o quinto a governá-lo. Sob o lema “A América para os americanos”, à época de sua criação, após as guerras napoleônicas, baseava-se sobre três pilares: a proibição de novas tentativas de colonização ou recolonização de territórios norte-americanos por potências europeias; a não interferência dos países europeus nos assuntos das nações recém-independentes do continente americano; e a não intervenção norte- americana em conflitos ou guerras internas exclusivamente europeias.
Já entre o final do século XIX e o início do século XX, a doutrina passou a justificar a hegemonia e as frequentes intervenções militares dos EUA nos países da América Latina, sempre tratada criticamente como “quintal” de Washington. Mais recentemente, a Doutrina Monroe tem sido resgatada por várias administrações dos EUA para sustentar sua influência e impedir a presença de potências rivais no Ocidente. Assim, nela Trump se inspira, a exemplo de outros antecessores. Certamente o presunçoso, grosseiro e beligerante Trump tem razões para sorrir. Hoje a América Latina está nas mãos de governos de direita ou centro-direita. A onda, alicerçada em pautas como o combate às facções criminosas, o ajuste fiscal, a liberalização econômica, de orientação conservadora e pró-mercado, já atingiu 12 nações do velho “quintal” norte-americano, a exemplo da Argentina de Javier Milei e nações como a Colômbia, o Chile, o Peru e o Paraguai. Entre os governos de esquerda estão o México de Claudia Sheinbaum, o Uruguai de Yamandú Orsi e, atualmente, o Brasil de Lula.
Teremos, em 25 de outubro, uma eleição que definirá o futuro do país, o das novas gerações, o de todos nós. A influência de Washington sobre a América Latina sempre foi muito grande. E, agora, ampliou-se, tendo como principal mote o combate ao crime organizado, simpático a muitos eleitores. Alguns governos sul- americanos têm assinado “acordos de colaboração” que abrem os territórios de seus países à presença militar, ostensiva ou não, dos EUA. O Brasil, segundo detentor das jazidas de terras raras no mundo, também é alvo da cobiça de Trump, que terá facilitado aqui seu ingresso com um governo de direita a apoiá-lo. Nossa soberania, que nos é tão preciosa, ficará seriamente abalada. Além disso, a vida dos brasileiros poderá mudar drasticamente, para pior, em questões como as leis trabalhistas, os programas sociais e o serviço público, entre outros pontos. Este é um alerta aos desavisados. Eleição é coisa séria e o futuro do Brasil está em jogo. A submissão ao “canto da sereia” é perigosa. Muito cuidado com as consequências!
*Gilson Barbosa
Jornalista e pesquisador.