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“Aniversário de Fortaleza” – Por Fátima Vilanova

Fátima Vilanova é doutora em Socióloga pela UFC. Foto: Arquivo Pessoal

“O que ainda precisa melhorar é a iluminação pública, que é ruim demais. As ruas de Fortaleza são escuras, sendo um fator potencializador da insegurança”, aponta a socióloga Fátima Vilanova

Confira:

Fortaleza está de parabéns. São trezentos anos, comemorados em 13 de abril de 2026. Não é pouca coisa. Houve muita festa em comemoração. Com feriado e tudo. Faz parte do roteiro comemorar com shows, tem apelo popular, e todos precisam mesmo relaxar, aliviar as tensões diárias da busca da sobrevivência. E foi uma festa bonita. Está tudo certo.

O que o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, precisa, também, é divulgar o custo da festa, de forma transparente e ampla, propiciando o envolvimento do cidadão na discussão das necessidades diárias dos fortalezenses, de suas prioridades, incluindo todas as áreas demandadas pela cidade. É um exercício de cidadania, e de educação política.

Outra questão importante é fazer do aniversário de trezentos anos da cidade de Fortaleza uma festa permanente, no sentido de que seus moradores disponham de serviços públicos de qualidade durante o ano inteiro, ano após ano. Mas a realidade é bem diferente da propaganda oficial. Basta chover, e a cidade fica debaixo d’água, com ruas inundadas, e semáforos sem funcionar. Entra governo e sai governo, obras de drenagem não são priorizadas, e ninguém discute o fim da impermeabilização das vias por asfalto, também responsável pelos alagamentos e aumento da temperatura e sensação térmica.

Fortaleza tem se desenvolvido muito ao longo do tempo, muita coisa melhorou, é visível, o progresso da cidade, com suas vias largas, com corredores exclusivos de ônibus, bicicletas, e motos, com túneis, viadutos, sinalização. O que ainda precisa melhorar é a iluminação pública, que é ruim demais. As ruas de Fortaleza são escuras, sendo um fator potencializador da insegurança, nos semáforos, um convite à atuação dos marginais. Fortaleza precisa plantar mais árvores, reduzir o asfalto, carece de parques bem cuidados, menos carros nas ruas para amenizar o clima, enfrentando as mudanças climáticas.

O desafio da prefeitura é, pois, instituir o Home Office, ou trabalho híbrido, onde for possível, na máquina municipal, e o atendimento online da população, reduzindo os congestionamentos, a poluição do ar, a temperatura, o estresse da população, com efeitos sobre a melhoria da qualidade de vida de todos. Ônibus elétricos devem ser priorizados no transporte público, reduzindo os gases de efeito estufa na atmosfera. É uma questão de visão e de decisão política.

Medida de impacto importante no meio ambiente, que a prefeitura precisa adotar, é a utilização de energia solar nas escolas, postos de saúde, UPAs, Hospitais, que também trará muita economia aos cofres públicos. O lixo deve ser melhor aproveitado, para geração de energia, com instalação de usinas de biometano. A educação para a coleta seletiva do lixo urge ser implementada pela prefeitura de Fortaleza, com campanhas educativas esclarecedoras, e massivas, e maior apoio aos catadores de material reciclável.

A economia circular, em que o que é descartado vira matéria-prima, precisa ser fomentada e apoiada pela prefeitura de Fortaleza, reaproveitando o seu lixo, ou descartando na coleta seletiva, realizando campanhas educativas, a partir das escolas públicas, e nos meios de comunicação, para reduzir o descarte e poluição pelo lixo.

Os mananciais necessitam de olhar especial, para o combate às ligações clandestinas de esgotos, que acontecem na beira-mar, e na praia do Futuro, contaminando as praias, e nos demais recursos hídricos da cidade. Se a prefeitura for fiscalizar, onde tem curso d’água, vai encontrar água contaminada por esgoto, proveniente das ligações clandestinas. A prefeitura precisa educar a população para que preservem os mananciais, para que não joguem esgoto, lixo, comprometendo a vida de todos, além da fauna e da flora.

A construção da Fortaleza, que todos almejamos, só é possível com a união de esforços entre o Poder Público e a sociedade, mediante a educação para a participação, para a colaboração, para a definição coletiva de prioridades, para cumprimento de deveres e fiscalização recíproca. Que a sociedade entenda que é preciso cobrar da prefeitura, mas fazer a sua parte é fundamental. Parabéns, Fortaleza!

Fátima Vilanova
Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é autora do livro: “Está tudo errado…” (Disponível na Amazon), e criadora do Movimento pela Moralização da Política (YouTube: @fatimavilanova6810). Você pode me acompanhar no YouTube, no programa Democracia Radical, no perfil: @fatimavilanova6810

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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