Categorias: Artigo

“As Aventuras de Poliana e o Brasil” – Por Roberto Víctor

Roberto Victor Ribeiro é advogado e escritor

Com o título “As Aventuras de Poliana e o Brasil”, eis artigo de Roberto Víctor, advogado, professor, conferencista, presidente da Academia Cearense de Direito e presidente de honra da Academia Brasileira de Direito.

O romance Pollyanna, de Eleanor H. Porter, escrito na década de 10 do século passado, traz elementos literários e poéticos extremamente necessários para os dias hodiernos.

Essa obra retrata uma jovem menina que, aos 11 anos, perde seu pai, um pastor protestante que lhe ensinava verdadeiras pérolas de como viver de forma mais leve a vida.

Nesse contexto, ele ensinou o “Jogo do Contente”.

Tal brincadeira traz como cerne principal transformar situações e fatos ruins em sensações positivas. Por exemplo, se o desejo da menina era ganhar uma boneca, mas deram-lhe um conjunto de muletas, ela deveria ficar feliz por ser saudável e não precisar fazer uso desse apoio para as pernas.

Pois bem, é assim que tento contemplar o Brasil e suas idiossincrasias atuais. Uma verdadeira “Torre de Babel” no que tange às tarefas típicas e atípicas dos Poderes, sendo certo que são o Poder Executivo, o Poder Legislativo e o Poder Judiciário.

Não é raro, até eu que tenho formação jurídica, sou professor universitário há 15 anos, autor de obras e palestrante, ter dificuldade para
entender o que vem acontecendo diante de tantas pantomimas nos diversos cenários estatais de nossa nação.

Diante do vitupério que assistimos com a nossa Constituição Federal, não vejo outra solução que não seja encarnar a menina Poliana e brincar de jogo do contente. Se a saúde está mal, devo ficar feliz por não estar precisando do SUS; se a educação não avança, devo ficar feliz por já ter formação pós-superior; se a segurança é totalmente abandonada, devo ficar contente por não precisar me expor às 04 da manhã a caminhar nas ruas ou em pegar transporte coletivo lotado com o objetivo de ir buscar o pão de cada dia.

Será que vamos ter que viver assim? Anestesiados?

Só temos três caminhos: encarnar a Poliana e fingir como alguns fazem que está tudo bem; aceitar a epidemia de Saramago e seu “Ensaio sobre a Cegueira” esperando o pior final possível, ou agirmos, não só com palavras, mas com ações.

*Roberto Victor

Advogado, Professor e Conferencista. Presidente da Academia Cearense de Direito e Presidente de Honra da Academia Brasileira de Direito.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais