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“Bote, Seu Paulo!” – Por Totonho Laprovítera

Totonho Laprovítera, o contador de histórias. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o título “Bote, Seu Paulo!” eis mais um texto da lavra de Totonho Laprovítera, arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

Confira

Durante muitos sábados, eu tive conversas telefônicas demoradas com o amigo Paulo Limaverde. Entre memórias, muitas histórias contadas por ele.

Após a atuação pioneira no TV Juventude, na TV Ceará Canal 2, Paulo seguiu fazendo história no rádio. Programas, bordões e episódios do cotidiano gravaram seu nome na memória coletiva cearense. Ainda ouço sua voz firme e animada anunciando um dos títulos mais divertidos da radiofonia local: “Sucessão de Sucessos que se Sucedem Sucessivamente sem Cessar! Sá, Sé, Si, Só, Sucesso!”.

Anos depois, ele revelou a origem do achado. Tudo nasceu da letra S: palavras e jogos sonoros, puxando uma sequência quase sem fim. Com o tempo, um demorado “Siiii…” ao microfone já bastava para anunciar o programa aos ouvintes.

A brincadeira ficava ainda melhor porque o operador de áudio era conhecido por Suvela e o cantor do momento era Simonal. Paulo emendava tudo numa só respiração: “Sucessão de Sucessos que se Sucedem Sucessivamente sem Cessar! Sá, Sé, Si, Só, Sucesso! Simbora, Suvela!”. Como dizia, era tudo no S.

No programa Ídolos do Povo, da Rádio Verdes Mares, sua irreverência disparou. Como as cartas dos ouvintes eram escassas, a equipe recorreu a uma solução simples: inventar algumas para movimentar o programa.

A ideia funcionou. Mas chegaram as primeiras cartas. Numa delas, uma ouvinte escreveu: “Bote, Seu Paulo, bote uma música pra dar certo no meu caso”. Vendo o potencial da frase, Paulo passou a usá-la e, logo, o pedido virou bordão.

Por tanto sucesso, o bordão ganhou uma versão gravada por uma voz feminina sensual. O famoso “Bote, Seu Paulo, bote!” se espalhou e entrou para a cultura popular da época. Não demorou para despertar a atenção dos censores.

A situação se complicou quando Pombinha Branca, na voz de Joelma, estourou nas paradas. Um dia, chegou uma carta: “Bote, Seu Paulo, bote a Pombinha Branca todinha”. O operador colocou apenas metade da música. Paulo aproveitou a deixa e disparou ao microfone: “Não bote só metade, não. Bote todinha!”. A frase provocou gargalhadas entre os ouvintes, mas não divertiu a Censura Federal. Paulo foi chamado a prestar esclarecimentos e recebeu advertências.

Sem ligar para limites e fórmulas prontas, Paulo realizou outra façanha: criou a primeira radionovela a cores da história do rádio. O aparente contrassenso traduzia seu espírito inventivo. Sem imagens, despertava a imaginação do ouvinte; as cores surgiam na mente de cada um.

Assim era Paulo Limaverde: fazia de letras, bordões, cartas de ouvintes e até reprimendas da censura matéria-prima para o imaginário de gerações alencarinas.

*Totonho Laprovítera

Arquiteto urbanista, escritor e artista plástico.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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