“Camilo e Elmano têm que refazer a rota e se reaproximar da militância e das lideranças intermediárias”, aponta o sociólogo Geraldo Accioly
Confira:
Com certeza, a Ciência Política contemporânea deverá se debruçar através de teses e análises sobre os acontecimentos das últimas semanas envolvendo o intrincado processo da escolha de uma senatória pelo PT do Ceará. No xadrez, a musculatura ideológica enfrentou o inchamento do pragmatismo, que se fez aliado a uma governança com “corriola” e “amigos” fechando as decisões politicas longe do suor e do trabalho da militância que de fato construiu e constrói o PT.
Decepcionante?
Muito.
O jogo é feito na base dos tristes e deploráveis “pacto de elites”, denunciado tantas vezes pela esquerda, mas que hoje vem para o nosso aprisco. O projeto politico é aprisionado pelos interesses pessoais, desprezando instâncias partidárias e promovendo o caudilhismo, mesmo com personalidades jovens.
A massa vai à convenção partidária para urrar os nomes dos “lideres” sem sequer ter tido a chance de participar de um debate sobre nomes e projetos.
Notória a fadiga de material do PT e de suas instâncias, mas é preciso afirmar com uma lâmina afiada que uma geração hoje, com 60, 70 e 80 mais, vai resistir ao golpe do personalismo, venha de onde vier.
A reiterada tentativa de comandar o PT por ordens, decretos e medidas provisórias, no Ceará, não funciona. Querer aniquilar uma liderança do peso de Luizianne Lins, tentando substitui-la por um atravessador mascate de última hora não cola.
Camilo e Elmano têm que refazer a rota e se reaproximar da militância e das lideranças intermediárias, sob risco de fracasso de um projeto.
Transformar a indicação de uma senatória num chá revelação é menosprezar a tradição do PT Ceará e dos que aguentaram as campanhas de 1989, 1994 e 1998.
Respeitem a história do PT.
A entrada de Luizianne Lins na campanha unifica a militância de esquerda para derrotar a oposição. A participação do ministro Guimarães na negociação para “colocar ordem na mesa” foi fundamental. Teoricamente um militante tem o mesmo voto e valor de um alto dirigente. Será? Até que me animei mais com esse conceito. Uma taxa de pedestal mais baixa faz um bem danado a democracia.
Geraldo Accioly
Sociólogo e filiado ao PT