Categorias: Opinião

“Carta sem destinatário” – Por Ana Márcia Diógenes

Ana Márcia Diógenes é jornalista e escritora. Foto: Divulgação

“A ansiedade de receber uma correspondência nas antigas caixas foi substituída por outra ansiedade: a de receber mensagens constantemente”, aponta a jornalista e escritora Ana Márcia Diógenes

Confira:

Dia desses, quando o semáforo fechou, parei o carro ao lado de um muro que tinha uma caixa de correspondência próxima ao número 1800. Tijolos e cimento fechavam o espaço em que um dia estava um portão. Para além de mais uma casa, que em breve deve se transformar em prédio residencial ou comercial, a cena me deixou pensando nas correspondências que podem ter sido deixadas lá e não encontraram o destinatário.

Caixa de Correio sem mais utilização

Se fosse alguns anos atrás, poderiam ser cartas de amor que ficaram sem respostas ou telegramas que perderam a urgência. As caixas de correspondência já há um bom tempo servem apenas para contas a serem pagas. E olhe lá. Quase todas atualmente são colocadas como débito em conta, para facilitar o cotidiano do usuário.

As caixas de hoje são nossos e-mails e WhatsApp. Tudo mais rápido e difícil de voltar para o remetente. Mudamos de computador ou celular, mas os endereços eletrônicos nos acompanham. Ao mesmo tempo em que essa agilidade gera conforto, sermos mais facilmente localizados faz com que recebamos mensagens a qualquer horário do dia ou da noite e em qualquer dia.

A ansiedade de receber uma correspondência nas antigas caixas foi substituída por outra ansiedade: a de receber mensagens constantemente. Coisas de um mundo em órbita tecnológica que nos faz ficar em constante aceleração mental.

Não sou saudosista e me adapto bem à tecnologia, mas confesso que deu vontade de escrever uma carta destinada a quem a abrir, sobre amores inesquecíveis e colocar na caixa. Quem sabe seja aberta por um dos operários que for trabalhar na obra, ele tenha boas recordações dos seus próprios amores e um dia para além do concreto?

Ana Márcia Diógenes
Jornalista e escritora

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

Esse website utiliza cookies.

Leia mais