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“Ceará virando pedra” – Por Nizomar Falcão

Nizomar Falcão é PhD e engenheiro agrônomo da Ematerc.e

Com o título “Ceará virando pedra”, eis artigo de Nizomar Falcão, PhD e engenheiro agrônomo da Ematerce. “O semiárido cearense enfrenta hoje um paradoxo civilizatório: embora detentor de uma biodiversidade única e de um saber ancestral resiliente, seus protagonistas diretos – os agricultores domésticos e familiares – encontram-se mergulhados em um ciclo de descapitalização severa”, expõe o articulista.

Confira:

O Ceará tem 20% do território em processo de desertificação. É 1/5 do Estado virando pedra. É preciso urgentemente de um plano de Recaatingamento e a solução não é cara – visto os inúmeros benefícios econômicos, ambientais e sociais advindo -, tampouco importada: Recaatingamento por Nucleação custa 10x menos que reflorestamento tradicional e a Caatinga faz o resto do trabalho sozinha. O recaatingamento por Nucleação é “plantar ilhas de vida” e deixar a natureza conectar as ilhas, integrando-as e criando uma teia de núcleos de vida. O deserto no Ceará avança 1 metro por dia. Nucleação avança 1 hectare por mutirão. Se a gente não acelerar a Caatinga, a Caatinga não acelera por nós. Recaatingar é dizer pro deserto: daqui você não passa.

O semiárido cearense enfrenta hoje um paradoxo civilizatório: embora detentor de uma biodiversidade única e de um saber ancestral resiliente, seus protagonistas diretos – os agricultores domésticos e familiares – encontram-se mergulhados em um ciclo de descapitalização severa. Esta fragilidade financeira atua como uma barreira intransponível para os modelos convencionais de desenvolvimento, que exigem altos investimentos iniciais para a implantação de pomares de larga escala, como os de Umbu-Cajazeira (Spondias sp.). Diante da histórica inércia governamental e da rigidez dos agentes financeiros, que falham em sensibilizar-se com a urgência da restauração produtiva, surge a necessidade de uma ruptura paradigmática.

Neste cenário, o Recaatingamento por peio da técnica da Nucleação como a via soberana para a restauração das terras secas e a construção da resiliência climática é uma alternativa de aplicação imediata. A nucleação não é apenas uma estratégia de plantio; é a aplicação prática e magistral da “Causa Eficiente” sobre a “Causa Material” de Aristóteles. Na lógica aristotélica, se a “Causa Material” é a terra degradada e as sementes disponíveis, a “Causa Eficiente” é a inteligência da intervenção humana que coloca a matéria em movimento. Em vez de sucumbir à paralisia da falta de recursos para plantar uma floresta inteira – o que seria oneroso e hídrica e financeiramente insustentável para o pequeno produtor -, optamos por agir como o “fermento” no bioma. Ao implantar estrategicamente pequenas ilhas de vida (núcleos), o agricultor deixa de ser um executor de tarefas repetitivas para tornar-se o arquiteto de um processo autogerido pela natureza. Estes núcleos, centrados em espécies resilientes e de alto valor como a Umbu-Cajazeira, funcionam como refúgios de biodiversidade que atraem a fauna, conservam a umidade e melhoram a estrutura do solo em seu entorno imediato.

Esta proposta é, portanto, um manifesto de eficiência biológica contra a escassez econômica. Por meio da nucleação, o crescimento da cobertura vegetal não ocorre por adição mecânica e custosa, mas por expansão orgânica. As ilhas de vida crescem, irradiam e, inevitavelmente, fundem-se, refazendo o tecido da Caatinga. É a prova de que, quando a política pública se omite, a inteligência da natureza, mediada pela mão do agricultor consciente, assume o papel de reconstruir o mundo, transformando o pouco capital disponível em uma abundância climática e produtiva duradoura.

*Nizomar Falcão,

PhD e engenheiro agrõinomo da Ematerce.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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