“Pesquisas eleitorais de quase nada valem quando os entrevistados estão longe de um clima eleitoral, além de os dados não trazerem o envolvimento de prefeitos, deputados, lideranças e máquinas administrativas”, aponta o jornalista Nicolau Araújo
Confira:
O celular chama pouco mais das 6 horas. Antes, três outras chamadas não atendidas, após as 23 horas do dia anterior. São dois amigos interessados em avaliar as primeiras pesquisas de intenções de voto de pré-candidaturas ao Governo do Ceará e ao Palácio do Planalto. No decorrer do dia, mais ligações. Até uma reunião presencial já estaria pré-agendada.
Elmano e Ciro Gomes aparecem empatados. Flávio Bolsonaro já desponta em segundo turno com Lula. Correria de um lado, tensão do outro e, enfim, dou a minha opinião: a Chapecoense disputará o título do Brasileirão e o Flamengo será rebaixado.
Pelo menos, a avaliação seguiu um critério técnico da primeira rodada, quando o time catarinense deu um show em cima do Santos, na vitória por 4 a 2, enquanto o atual campeão brasileiro perdeu de 2 a 1 para o São Paulo, com uma atuação sofrível em campo.
E as pesquisas eleitorais, que nem candidaturas ainda possuem? Sequer o chaveamento de cenários é confiável.
Assim como o Flamengo possui mais estrutura para grandes contrações no decorrer do Brasileirão e a Chapecoense tampouco tem a garantia de manter seus principais jogadores, as pesquisas eleitorais de quase nada valem quando os entrevistados estão longe de um clima eleitoral, além de os dados não trazerem o envolvimento de prefeitos, deputados, lideranças e máquinas administrativas.
Quantas pesquisas já não apontaram no início de períodos eleitorais um candidato com mais de 30% das intenções de voto, quando, ao final, o eleito não aparecia nem com 2%, de acordo com a margem de erro?
E isso não se deu por nenhum fenômeno político a exemplo de Luther King ou Mandela, mas porque o candidato com 2% chegou com o apoio da máquina administrativa, de parlamentares e lideranças, enquanto aquele que antes despontava apenas reproduzia o exaurível discurso do inconformismo.
As pesquisas que atualmente eclodem no Ceará e no país de pouco adiantam para um resultado nas urnas. Por enquanto, melhor que os números, os gráficos e as projeções é o bom senso. Não há como Lula ficar de fora de um segundo turno, assim como Elmano em seu projeto da reeleição. E ambos com boas condições de reeleição em primeiro turno.
A polarização que marca o país, talvez esteja em seu último ano. E o “talvez” se justifique não pela existência do “bem” contra “mal” pelas próximas eleições, mas pelo seu fim, antes mesmo do lançamento das candidaturas.
A grande ala do “patriotismo” da direita foi abalada pelo “nacionalismo” da esquerda, na questão da taxação dos Estados Unidos e na defesa da soberania. Boa parte dos “patriotas” se voltaram para o discurso nacionalista, diante do pouco interesse pela ideologia política. São patriotas, não militantes. Diferente da esquerda, quando os simpatizantes são militantes e o que mais queiram que sejam.
Já adiantamos algumas rodadas do Brasileirão. E a Chapecoense já se encontra longe do G4, enquanto o Flamengo avançou posições na tabela. E olha que o VAR ainda nem foi acionado. Mas isso já é um outro campeonato…
Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido