“Talvez o problema não seja a suposta traição sofrida por Ciro, mas a dificuldade de reconhecer os próprios erros”, aponta o historiador e ex-deputado estadual Acrísio Sena
Confira:
Ciro Gomes tem ocupado frequentemente espaço na imprensa para afirmar que foi “traído” pelo grupo político liderado por Camilo Santana, Cid Gomes e Elmano de Freitas. A narrativa pode até servir ao discurso político, mas não resiste a uma análise da própria trajetória de Ciro. Porque, olhando para sua história, é impossível ignorar um fato: poucos políticos romperam com tantos aliados em tão pouco tempo.
A ruptura, no caso de Ciro, traduzida em arrogância, parece ter virado método. Rompeu com Tasso Jereissati, um dos principais responsáveis por sua ascensão política; afastou-se do PSDB de Fernando Henrique Cardoso, após ter sido um dos nomes nacionais do partido; rompeu com Lula depois de anos de aliança política; isolou e ajudou a derrotar Lúcio Alcântara; e, talvez no episódio mais emblemático, abandonou Izolda Cela, mesmo diante de um acordo político que apontava para sua continuidade.
O que se vê hoje é um político que acusa antigos aliados de deslealdade, mas raramente faz autocrítica sobre suas próprias escolhas e métodos. No fim, talvez o problema não seja a suposta traição sofrida por Ciro, mas a dificuldade de reconhecer os próprios erros. Não podemos esquecer que, na política, quem faz das rupturas um hábito termina, inevitavelmente, colhendo isolamento.
Acrísio Sena
Dirigente estadual do PT-CE