“Como nasce a violência contra a mulher. Como nasce o feminicídio” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“O parlamentar não percebe que corre o risco de formar um homem agressor de mulheres e de uma filha que poderá se submeter a todo tipo de atrocidades de um futuro companheiro”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Sou de uma geração que se reinventou para existir nos tempos atuais. Apesar de apenas seis décadas, passamos de costumes medievais para o pleno respeito às diferenças de gênero, de raça, de classes sociais.

Nos envergonhamos de expressões anteriormente costumazes, como “programa de índio”, “viadinho”, “muçum”, “nega Pajeú”, “favelado”, “ralé”, “cocotinha”, “traveca”, dentre outros aos quais nos aliviamos de tê-los esquecidos.

Também nos envergonha as piadas que no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 nos arrancavam gargalhadas na indiferença à dor alheia.

Apesar de naturalizarmos por um longo período todo tipo de violência contra a dignidade humana, ora como agressores, ora como vítimas, causou-me indignação e repugnância a cena de um vereador de um município da Região Metropolitana de Fortaleza, ao incentivar o filho em correr atrás da irmã com uma arma e balas de brinquedo, com ordem para atirar. A menina, anos mais velha, corria em desespero, sem dimensionar a dor que as balas poderiam provocar-lhe.

Ao pesquisar o vídeo, detalhadamente, notei que não se trataria deste ano. Talvez de 2024. Mas a criança da arma continua criança, enquanto o pai, anteriormente auxiliar de eletricista, continua a desrespeitar as minorias, além de mulheres, quando, já no exercício do mandato parlamentar, xingou professoras e até uma deputada estadual, ao propor que ela lavasse suas roupas, inclusive apresentando peças íntimas sujas, de acordo com o próprio vereador em plena tribuna. No constrangimento alheio, reportei-me aos anos 1980 na apresentação do vereador de sua peça íntima: “hummm, menina!”, traí-me.

Com um conhecimento cultural sofrível, a julgar pelo atropelo em seus discursos e de agressões à gramática, o parlamentar não percebe que corre o risco de formar um homem agressor de mulheres e de uma filha que poderá se submeter a todo tipo de atrocidades de um futuro companheiro.

Em fotos em família, o parlamentar quase sempre ostenta uma pistola na cintura, para orgulho do menino com rosto próximo à arma.

Pena que o garoto não conheceu o pai ao qual verdadeiramente se orgulharia, como qualquer filho que vê o protetor de sua família chegar em casa, após um exaustivo dia de trabalho de auxiliar de eletricista, com o divino poder do respeito a todos os membros da casa…

(O parlamentar não teve o nome citado, em respeito às crianças envolvidas)

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

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