“Cooperação internacional contra o crime organizado” – Por Luiz Henrique Campos

Encontro entre Trump e Lula, na Malásia. Foto: Ricardo Stuckert

Com o título “Cooperação internacional contra o crime organizado”, eis a coluna “Fora das 4 Linhas”, assinada pelo jornalista Luiz Henrique Campos. “(…) Lula pretende propor, durante a reunião com Trump, acordo de cooperação que vá além de meras declarações de intenção. O presidente anunciou que levará à mesa representantes da Polícia Federal, da Receita Federal e de diversos ministérios brasileiros, com foco em temas como narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro, todos componentes clássicos do crime transnacional”, expõe o colunista.

Confira:

Nos próximos dias, é esperado um encontro presencial entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, para reunião que promete colocar no centro do debate internacional a cooperação bilateral no combate ao crime organizado.

A escolha desse tema não é aleatória. O crime organizado deixou de ser um problema restrito às fronteiras nacionais e transformou-se, nas últimas décadas, em rede complexa com tentáculos que atravessam continentes e mercados.

Seja no tráfico de drogas, na lavagem de dinheiro ou no tráfico de armas, grupos criminosos atuam hoje em canais financeiros globais, explorando brechas jurídicas e mesmo refúgios seguros em países estrangeiros. Isso faz com que, sem cooperação internacional robusta, qualquer combate isolado tenda a ser ineficiente ou mesmo simbólico. Por isso, trata-se de desafio que líderes de grandes economias, como Brasil e EUA, reconhecem como urgente.

O Brasil enfrenta esse cenário de criminalidade sofisticada, exigindo do poder público medidas, que até agora, tem se mostrado ineficazes. O avanço das facções e organizações criminosas no território brasileiro, por outro lado, tem gerado impactos profundos no tecido social e econômico, especialmente nas periferias urbanas e nas comunidades mais vulneráveis.

Em contrapartida à ideia simplista de que o crime pode ser derrotado apenas com mais violência ou medidas punitivas extremas, há reconhecimento, inclusive dentro do próprio governo brasileiro, de que políticas públicas eficazes requerem inteligência, coordenação institucional e alianças internacionais.

É nesse contexto que Lula pretende propor, durante a reunião com Trump, acordo de cooperação que vá além de meras declarações de intenção. O presidente anunciou que levará à mesa representantes da Polícia Federal, da Receita Federal e de diversos ministérios brasileiros, com foco em temas como narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro, todos componentes clássicos do crime transnacional.

Washington, por sua vez, não é estranho a esse tipo de ameaça. Nos últimos anos, a narrativa do governo americano sob Trump tem colocado o combate ao crime organizado como parte central de sua diplomacia com nações americanas, incluindo pressão sobre vizinhos como México e críticas a governos considerados aliados de redes ilícitas.

Somado a isso, Trump já conversou por telefone com Lula sobre o combate ao crime organizado e a necessidade de intensificar a cooperação entre os países. O que pode parecer parceria improvável, dado o histórico de tensões entre Lula e Trump em outros temas, como tarifas e política internacional, portanto, reflete uma realidade pragmática, pois desafios globais exigem respostas que transcendam diferenças ideológicas.

Lula, por exemplo, já reiterou seu desejo de relações onde haja respeito mútuo e tratamento igualitário entre as nações, evitando a lógica de confrontos ou “novas guerras frias”. Outro ponto relevante é que o próprio presidente brasileiro afirmou ter enviado às autoridades americanas nomes e endereços de possíveis criminosos que estariam operando nos Estados Unidos, iniciativa que busca demonstrar a seriedade de seu compromisso com a cooperação.

Seja como for, a efetividade dessa parceria dependerá, em grande parte, da capacidade de ambos os governos de alinharem interesses e estratégias sem que isso se transforme em instrumento de retórica política ou disputas internas. O combate ao crime organizado, assim como a segurança hemisférica, exige paciência, troca de informações, mecanismos jurídicos eficientes e, sobretudo, respeito às soberanias nacionais.

*Luiz Henrique Campos

Jornalista e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar.

Luiz Henrique Campos: Formado em jornalismo com especialização em Teoria da Comunicação e da Imagem, ambas pela UFC, trabalhei por mais de 25 anos em redação de jornais, tendo passando por O POVO e Diário do Nordeste, nas editorias de Cidade, Cotidiano, Reportagens Especiais, Politica e Opinião.

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