Com o título “Copa 2026 – O Brasil precisa ser antifrágil”, eis artigo de Leandro Vasques, advogado criminal e diretor jurídico da Federação Cearense de Futebol (FCF). ” esperamos que Carlo Ancelotti, agora com um ciclo inteiro pela frente, consiga construir uma equipe que ganhe força na adversidade e reaja a inícios desvantajosos, como até fez contra o Japão. Precisamos superar o estrelismo estéril dos nossos garotos-propagandas de bets e edificar um conjunto dotado de verdadeira força coletiva antifrágil como demonstrado pelas finalistas”, expõe o articulista.
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Certa feita, o técnico uruguaio Oscar Tabárez disse que o Boca Juniors dá aos seus torcedores o que a vida não lhes dá. E assim pensam os brasileiros a cada quatro anos, quando as esperanças de um novo título mundial se renovam, mesmo com o largo jejum desde 2002. Não foi desta vez, e a pior campanha desde 1990 parece ser um sinal pouco alentador para o próximo ciclo.
Não sou especialista, mas nessas horas todos passamos a ser, então não há problema em lançar mais um pitaco. O que faltou? O que Noruega, França, Argentina e, principalmente, Espanha têm que não temos? Talentos individuais? Não parece ser isso, já que temos brasileiros estrelando nos principais clubes do mundo. Organização institucional? Talvez, mas a AFA (Associação do Futebol Argentino), por exemplo, está às voltas com investigações delicadas sobre fraude e lavagem de dinheiro.
Vejo pistas no conceito de “antifragilidade” de Nassim Taleb, que categoriza sistemas em geral como frágeis, robustos ou antifrágeis. Os frágeis são aqueles que se quebram ou se deterioram diante das crises. Os robustos resistem aos choques e permanecem iguais, não piorando nem melhorando. Já aqueles antifrágeis se aperfeiçoam diante dos problemas.
Embora a grande campeã Espanha tenha apresentado uma trajetória de constante evolução, apesar da estreia um tanto decepcionante contra a sensação Cabo Verde, a Argentina demonstrou grande antifragilidade ao longo da competição. Diante de placares adversos, em jogos duríssimos contra o Egito e a Inglaterra, a equipe de Messi conquistou viradas incríveis, chegou à sua sétima final de Copa do Mundo e quase alcança a quarta estrela, não obstante a constante “generosidade” da arbitragem para com os “hermanos”…
Voltando ao Brasil, esperamos que Carlo Ancelotti, agora com um ciclo inteiro pela frente, consiga construir uma equipe que ganhe força na adversidade e reaja a inícios desvantajosos, como até fez contra o Japão. Precisamos superar o estrelismo estéril dos nossos garotos-propagandas de bets e edificar um conjunto dotado de verdadeira força coletiva antifrágil como demonstrado pelas finalistas.
*Leandro Vasques
Advogado criminal e diretor jurídico da Federação Cearense de Futebol (FCF).