“Coragem do Ceará no Enfrentamento ao Crime Organizado” – Por Sabino Henrique

Sabino Henrique é jornalista, advogado e editor do site direitoce.com.br

Com o título “Coragem do Ceará no Enfrentamento ao Crime Organizado”, eis artigo de Sabino Henrique,  jornalista e advogado. “(…) o governo cearense tem demonstrado maturidade. Mesmo diante de um cenário jurídico complexo — em que decisões judiciais, garantias constitucionais e limites legais impõem freios necessários à ação estatal —, a política de segurança tem avançado com consistência”, expõe o articulista. 

Confira:

O avanço do crime organizado constitui hoje o maior temor da população brasileira e, ao mesmo tempo, o mais complexo desafio imposto ao Estado. Trata-se de um fenômeno nacional, profundamente enraizado em todos os níveis do território — dos grandes centros urbanos aos distritos e povoados mais distantes. Nenhuma unidade da Federação está imune. O Ceará, evidentemente, também não.

O que diferencia os governos, contudo, não é a existência do problema, mas a forma como escolhem enfrentá-lo. Nesse contexto, o governador Elmano de Freitas tem adotado uma postura que merece análise serena e reconhecimento público: enfrentamento direto, contínuo e sem retórica vazia.

Não se trata de discurso fácil, promessas espetaculosas ou soluções mágicas — até porque elas não existem quando o tema é crime organizado. O que se observa, ao contrário, é uma atuação marcada pela discrição institucional, pela compreensão das limitações jurídicas e estruturais do Estado e pela insistência em resultados concretos, mensuráveis e progressivos.

O crime organizado não se combate apenas com força policial. Ele exige inteligência, integração entre instituições, fortalecimento da investigação, valorização dos profissionais da segurança pública e, sobretudo, respeito ao devido processo legal. Qualquer tentativa de enfrentamento que ignore esses pilares pode até gerar aplausos momentâneos, mas invariavelmente produz efeitos colaterais graves e instabilidade institucional.

Nesse ponto, o governo cearense tem demonstrado maturidade. Mesmo diante de um cenário jurídico complexo — em que decisões judiciais, garantias constitucionais e limites legais impõem freios necessários à ação estatal —, a política de segurança tem avançado com consistência. As estatísticas oficiais, amplamente divulgadas, indicam redução em indicadores relevantes, aumento de apreensões, desarticulação de facções e maior presença do Estado em áreas historicamente dominadas pelo crime.

Esses resultados não surgem por acaso. São fruto de planejamento, investimento contínuo e coordenação entre forças policiais, sistema de justiça e inteligência. Também decorrem de uma escolha política clara: não recuar diante da intimidação, não normalizar a presença do crime e não transferir responsabilidades.

Há coragem em governar sem alarde. Em tempos de redes sociais e política performática, resistir à tentação do discurso inflamado e optar por ações técnicas, silenciosas e eficazes é uma forma rara — e necessária — de liderança. O enfrentamento ao crime organizado não comporta improviso nem vaidade. Exige persistência, método e compromisso institucional.

Outro aspecto relevante é a compreensão de que o combate ao crime organizado é um processo, não um evento. Não há “dia da vitória” nem solução definitiva de curto prazo. Há avanços, recuos pontuais, reacomodações e a necessidade permanente de adaptação do Estado. Nesse cenário, manter a direção correta já é, por si só, um mérito político e administrativo.

É preciso também reconhecer que nenhuma política de segurança se sustenta sem respaldo social. A população deseja firmeza, mas também legalidade; deseja proteção, mas não arbitrariedade. O equilíbrio entre autoridade e direito é delicado, e o governo que consegue preservá-lo demonstra respeito à democracia e às instituições.

O Ceará ainda enfrenta desafios relevantes, e ninguém de boa-fé afirmaria o contrário. O crime organizado é resiliente, mutável e violento. Porém, negar os avanços obtidos seria injusto com o esforço institucional realizado e com os profissionais que atuam diariamente na linha de frente.

O Estado que enfrenta o crime com coragem, inteligência e responsabilidade não é o que grita mais alto, mas o que entrega resultados consistentes. E, dentro dessa conjuntura, é legítimo reconhecer que o governo do Ceará tem escolhido o caminho mais difícil — e também o mais correto.

Combater o crime organizado é, antes de tudo, afirmar a autoridade do Estado democrático de direito. Quando isso é feito com seriedade, sem demagogia e com resultados palpáveis, o reconhecimento não é um favor: é um dever analítico.

*Sabino Henrique

Jornalista e advogado e editor do site direitoce.combr.

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