“Alguns sociólogos contemporâneos afirmam, que nós estamos convertidos em robôs programados para produzir e consumir de forma mecânica, levando-nos a uma existência alienada, monótona e triste”, aponta a psicóloga Zenilce Bruno
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Não importa o que tenhamos conseguido. Se não somos de verdade felizes com nossa existência, chega um dia que necessitamos responder três grandes perguntas: De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Ainda que possa parecer o mesmo, há uma enorme diferença entre existir e estar vivo. Muitas pessoas têm que estar a ponto de morrer para compreendê-la. E não se trata somente de morte física, mas também psicológica. É um dia levantar pela manhã e notar um incômodo mal estar no estômago. De parar uns minutos ao meio dia e experimentar uma falta absoluta de sentido. De deter um momento ao anoitecer e sentir um profundo vazio no coração. Alguns sociólogos contemporâneos afirmam, que nós estamos convertidos em robôs programados para produzir e consumir de forma mecânica, levando-nos a uma existência alienada, monótona e triste. Estamos tão desconectados que funcionamos com piloto automático, indo de um lado para o outro por pura inércia. Tendo muitas vezes chegado à conclusão de que esta desconexão é o normal e que o raro é ser feliz.
Tiranizados por nossos medos e covardias, ao entrar na idade adulta abrimos mão de nossos sonhos, construindo uma vida seguindo as normas estabelecidas. E como resultado, vamos afastando-nos de nossa verdadeira essência, convertendo-nos em alguém que não somos e colhendo intermináveis frustrações. Até que chega um dia em que o mal estar, o sem sentido e o vazio tornam-se insuportáveis. Somente então nos atrevemos a mudar, como um despertar da consciência, cada vez mais, seres humanos estão padecendo da denominada “crise existencial”. O curioso é que este processo psicológico não tem nada a ver com a idade, o sexo, a cultura e a posição social. Para o bem ou para o mal, chega um momento em que nos é impossível seguir fingindo e enganando-nos. Em todos esses casos, percebemos que nosso vazio não está relacionado com o que temos e sim com o que somos.
A necessidade de mudar conecta-nos com a coragem para adentrar em um território incerto e desconhecido: nós mesmos, levando-nos a questionar, de onde viemos. Trata-se de refletir acerca das motivações que nos tem levado a seguir um determinado estilo de vida e responsabilizar-nos pôr a pessoa que cremos que somos e a que podemos chegar a ser. Conhecer a mim mesmo para saber como modificar minha relação comigo, com os outros e com o mundo. Uma vez sabendo de onde viemos e descobrindo quem somos, estamos preparados para decidir onde queremos ir. Neste ponto do caminho, é importante discernir que o sentido da nossa existência não somente refere-se à maneira em que nos sentimos, mas também a direção que decidirmos dar-lhe. E neste caso, a decisão não vem movida por razão, e sim por vocação. Ao reconectar com nossa verdadeira essência, começamos a escutar a nossa “voz interior”. Assim é como deixamos de tomar decisões movidas por nosso instinto de sobrevivência, e começamos a seguir os ditados de nossa intuição, de nossa consciência e de nosso coração.
Zenilce Bruno
Psicóloga e Sexóloga
zenilcebruno@uol.com.br