“Cuidar também é trabalho: reconhecimento pode impulsionar a economia e o bem-estar social” – Por Joaquim Cartaxo

Joaquim Cartaxo é o superintendente do Sebrae/CE. Foto: Tapis Rouge

Com o título “Cuidar também é trabalho: reconhecimento pode impulsionar a economia e o bem-estar social”, eis artigo de Joaquim Cartaxo, arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae do Ceará. “As redes de cuidado possibilitam que pessoas responsáveis por tarefas domésticas tenham maior intervalo de tempo livre, permitindo formação e aperfeiçoamento profissional e participação no mercado de trabalho”,expõe o articulista.

Confira:

A economia do cuidado contempla atividades que sustentam a vida humana: alimentação, higiene e acompanhamento, organização do domicílio e gestão do tempo familiar. Fatores como mudanças demográficas, redução do tamanho das famílias, participação das mulheres no mercado de trabalho e ampliação da expectativa de vida provocaram o aumento da demanda por cuidado. Assim, surgem oportunidades de geração de trabalho, ampliação de serviços e criação de modelos de organização que articulam Estado, mercado e famílias, influenciando o funcionamento de outros setores da economia.

A formalização de atividades no âmbito do trabalho doméstico, historicamente, é uma dessas oportunidades, com a criação de empregos remunerados, principalmente nas áreas de saúde, educação infantil e cuidados de longa duração, que ampliam a arrecadação e a oferta de serviços de apoio às famílias.

As redes de cuidado possibilitam que pessoas responsáveis por tarefas domésticas tenham maior intervalo de tempo livre, permitindo formação e aperfeiçoamento profissional e participação no mercado de trabalho.

Contudo, há desafios que limitam o desenvolvimento da economia do cuidado, tais como concentração do trabalho de cuidado em determinados grupos sociais; sobrecarga de tarefas domiciliares; desigualdades de renda e de disponibilidade de tempo; informalidade e ausência de regulação das ocupações relacionadas ao cuidado. Outro desafio é legalizá-lo como trabalho formal, fundamentando direitos e redefinindo responsabilidades entre Estado, mercado e famílias.

É evidente a relação do cuidado com a economia e o bem-estar social. Reconhecer e formalizar o cuidado como trabalho, que não se restringe ao ambiente doméstico, requer decisões que demandam planejamento e políticas públicas e favorece o desenvolvimento socioeconômico e a organização da vida coletiva, considerando quem recebe e quem presta o cuidado.

*Joaquim Cartaxo

Arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE.

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