“De pai para filho: a razão miliciana” – Por Filomeno Moraes

Professor Filomeno Moraes é estudioso do assunto. Foto: Divulgação

Com o título “De pai para filho: a razão miliciana”, eis artigo de Filomeno Moraes, cientista político. “Se há dúvida de que o candidato Lula possa exercer tal papel com inteireza, todavia, tem-se a certeza de que o condomínio Bolsonaro, pai e filho, constituirá a marcha da insensatez”, expõe o articulista.

Confira:

Luiz Werneck Vianna, o saudoso analista das estruturas e conjunturas brasileiras, dissecou causas e consequências perversas da eleição que, em 2018, levou Bolsonaro, o pai, à presidência da República. Agora, Steven Levitsky, um dos autores de “Como as democracias morrem”, num conjunto de entrevistas, aponta os perigos de Bolsonaro, o filho, tendentes ao desmantelamento do Estado Democrático e Social de Direito projetado pela Constituição Federal vigente.

Segundo Vianna, em entrevista especial concedida à Revista do Instituto Humanitas Unisinos, em 2020, a chegada de Bolsonaro, o pai, à presidência ocasionou a ascensão do “mundo das milícias” na política brasileira. Ainda de acordo com Vianna, aquela eleição se fez acompanhar de “um tsunami de votos de uma ralé de novo tipo”, criando-se espaço, inclusive, para que aventureiros armados ocupassem posições e se tornassem presentes no processo eleitoral.

Já Levitsky, destacando o autoritarismo do candidato Bolsonaro, o filho, observa que, sempre que um país elege um presidente que não está totalmente comprometido com a democracia, é uma ameaça, nomeadamente se a instituição presidencial é muito poderosa. Por outra parte, salientando que o “trabalho de defesa da institucionalidade democrática recai sobre os ombros dos políticos, dos juízes e dos que têm poder”, dado que “o eleitor comum tem outras preocupações”, o cientista político alerta para o risco de eleger-se “um presidente de extrema-direita, filho de um golpista” (UOL, 15/10/26).

De fato, o que se viu no quadriênio iniciado em 2019 foi o constante e crescente tensionamento institucional, a tentativa de infirmar os pesos e contrapesos relativos aos poderes do Estado, o enfraquecimento de agências estatais, a militarização do governo, culminando tudo no 8 de Janeiro. Hoje, a polarização da sociedade, com o esgarçamento oriundo da violência criminosamente organizada pelas milícias e fações, a deslegitimação de instituições fundamentais, a crise econômica, clamam por uma liderança presidencial virtuosa. Se há dúvida de que o candidato Lula possa exercer tal papel com inteireza, todavia, tem-se a certeza de que o condomínio Bolsonaro, pai e filho, constituirá a marcha da insensatez.

Por tudo, o voto neste 25 de outubro exige uma responsabilidade gigantesca, pois, está-se diante de dois projetos antagônicos de futuro: um, mais próximo à razão civilizatória, republicana, democrática; o outro, integralmente obediente à razão miliciana do obscurantismo, do autoritarismo, da violência.

*Filomeno Moraes

Cientista político.

COMPARTILHE:
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Notícias