O Dia dos Pais deste ano carrega a marca da Copa do Mundo e o peso da dívida das famílias. Segundo levantamento do IBEVAR-FIA Business School, a data deve movimentar R$ 29,7 bilhões no varejo brasileiro, alta de 9,3% sobre 2025, com gasto médio de R$ 286 por consumidor (+12,2%) — mesmo com 2,3 milhões de compradores a menos, caindo para 104 milhões. A conclusão do estudo é direta: a data cresce em valor, não em gente.
O grande fenômeno de 2026 tem nome e camisa: o interesse por artigos da Seleção Brasileira disparou 762% desde a Copa, encerrada três semanas antes da data. A camisa do Brasil supera em 15 vezes a procura pela camisa da Argentina, segunda colocada — e o e-commerce de camisas de futebol já faturou R$ 1,2 bilhão no semestre, alta de 80%. “A camisa amarela é o presente-símbolo do ano — quem trabalha com moda esportiva ou licenciados precisa correr atrás de estoque”, afirma Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School.
Mas o levantamento também expõe uma contradição que atravessa o consumo brasileiro em 2026: a renda real das famílias cresce 2,8% e o desemprego é o menor da série histórica (5,4%), e ainda assim o endividamento bate recorde — 49,8% da renda comprometida, com inadimplência em 7,63% e juros ao consumidor a 64% ao ano. O estudo aponta que 37% dos compradores já estão com contas em atraso, e 14% vão deixar de pagar alguma conta só para não deixar o pai sem presente.
O item mais associado à data é a cafeteira, com interesse 1,84 vez maior em agosto do que no resto do ano — à frente de parafusadeira, kit churrasco e barbeador. Já entre os maiores saltos de busca do ano estão a camisa retrô (+39%), a bola de futebol (+38%) e a bicicleta elétrica (+37%), sinal de que o consumidor mistura nostalgia, esporte e mobilidade elétrica na hora de escolher o presente.
Apesar do crescimento, o Dia dos Pais segue como “irmão menor” do calendário do varejo: o interesse pela data nunca superou 80% do interesse pelo Dia das Mães em 22 anos de série histórica — e o pico vem encolhendo, ou seja, queda de 30% em três anos.