O compositor, cineasta e escritor cearense Duarte Dias, após lançar o sngle “Vida” nas plataformas difitais, prepara o lançamento do EP “Alfa”, previsto para a próxima sexta-feira. Reunindo quatro canções autorais — “Vida”, “Luz”, “Sós” e “Brilho”, o trabalho inaugura o primeiro movimento de uma trilogia de EPs (Alfa, Beta e Gama), concebida como percurso artístico em três atos e guiada por um conceito que integra música, palavra e artes visuais.
Reconhecido por sua atuação no cenário cultural do Ceará, Duarte transita entre criação e gestão pública da cultura. Além de realizador, é Assessor de Gestão Cultural e Artística do Instituto Dragão do Mar e Programador e Curador de Cinema do Cineteatro São Luiz, onde coordena ações de formação, difusão e memória audiovisual e musical, entre elas, os podcasts Sons do Ceará e Perfil de Cinema, veiculados pela Rádio Universitária FM 107,9. Graduado em Artes Visuais (UECE) e mestrando em Artes (IFCE), desenvolve pesquisa voltada aos processos de criação e às relações entre arte, memória e ancestralidade.
Um EP atravessado por emoção
Com “Alfa”, Duarte Dias inaugura um novo ciclo autoral em formato de EP, reunindo quatro canções que investem numa linguagem mais direta e concentrada do que a apresentada em Jardim do Invento (2019). Se o álbum de estreia se organizava como um “jardim” de referências – atravessando diferentes gêneros e atmosferas -, o novo trabalho assume um recorte que privilegia pulsação, melodia e uma escrita imagética voltada à emoção e à reflexão. O resultado é um conjunto de canções que equilibram energia e intimidade, costurando afirmação, despedida, solidão e desejo sob o mesmo eixo emocional.
Ainda que cada faixa possua identidade própria, o EP se organiza em torno de um eixo comum: a relação entre pulsação e delicadeza, entre o que ilumina e o que fere, entre afirmação e melancolia. A luz aparece como metáfora recorrente – luz que vibra, que se despede, que seduz, que queima -, costurando as quatro canções como fragmentos de uma mesma unidade simbólica.
Faixa a faixa
“Vida”, que abre o EP e já foi apresentada ao público, nasceu como homenagem ao músico e arte-educador Carlinhos Perdigão, amigo de longa data de Duarte e coautor, ao lado do artista e de outros escritores, do livro Arte em Estado Crônico (Sarau das Letras, 2020). Musicalmente, “Vida” se sustenta numa energia direta, um rock and roll com impulso rítmico e refrão afirmativo, articulando referências literárias e pessoais ao tempo em que celebra a vitalidade como resposta à perda.
Na sequência, “Luz” assume o tom de balada do adeus: uma canção de melancolia luminosa que fala desse espaço silencioso entre o fim de uma relação e o afeto que permanece; sobre a compreensão de que amar também pode significar deixar o outro seguir, sem medo.
“Sós” desloca o EP para um território mais dramático e ambíguo. A letra constrói cenas de forte imagética , tensionando a relação entre presença e encenação, desejo e vazio, com referências a símbolos espirituais e culminando no refrão existencial que nomeia a solidão como dado incontornável.
Fechando o repertório, “Brilho” intensifica o caráter febril do conjunto; o eu lírico oscila entre lucidez e vertigem, como se o fascínio pelo outro fosse simultaneamente farol e abismo. Aqui, o “brilho” é desejo em estado bruto, e a luz, novamente, aparece como força que mantém o sujeito alerta em meio a metáforas por vezes surreais.
Os arranjos de “Alfa” são assinados pelo maestro cearense Carlinhos Crisóstomo, que também participa como instrumentista ao lado de músicos convidados, como Misael Silva, Rafainy Carneiro e Rodrigo Santos, entre outros. “É um trabalho em que busco uma abordagem mais direta e emocional, desta feita focando no universo do pop/rock, em contraste com a diversidade de caminhos sonoros e poéticos que propus em ‘Jardim do Invento’”, resume Duarte.
SERVIÇO
*EP: Alfa — Duarte Dias
*Disponível em: Spotify, Apple Music, Deezer e demais plataformas digitais.