Com o título “E agora, José?”, eis artigo de Edson Guimarães, advogado e especialista em Direito Eleitoral. “O Brasil não pode fechar os olhos diante de um escândalo de tamanha proporção, comandado por um suposto banqueiro que, na verdade, comandava uma organização criminosa, com atuação no desvio de recursos financeiros de investidores inocentes e aplicadores de dinheiro público desonestos, esquema de corrupção e até sicários perversos”, expõe o articulista.
Confira:
Ao longo da história política brasileira, muitos episódios marcaram a trajetória do nosso país, em sua maioria positivos, que nos orgulham e nos fazem crer na força e integridade do povo brasileiro. No entanto, alguns outros episódios, ainda que em menor frequência, nos entristecem e, em alguns momentos, nos tiram o alento e até mesmo chegamos a descrer dos que deveriam ser responsáveis pelos destinos da nação em qualquer esfera de poder.
As relações promiscuas entre membros dos três Poderes e entes privados, quer pessoas físicas ou jurídicas, comprometem a integridade das instituições e a lisura de suas decisões.
Jamais a nação assistiu a um espetáculo tão imoral quanto o que trata do Banco Master, instituição financeira que surgiu por encanto, logo tomou conta do marcado financeiro oferecendo transações mirabolantes, rendimentos estratosfericos, seduzindo os mais ávidos investidores. Em pouco tempo os negócios do Master passaram a interessar a políticos, grandes empresários, envolvendo até figuras eclesiásticas sócio de empreendimento hoteleiro duvidoso amparado por ministro da Suprema Côrte e seus familiares.
O encantamento do mundo político jurídico pelo Master e seu presidente ensejou regabofes em Trancoso, regados a vinhos da melhor casta europeia, tendo belas acompanhantes estrangeiras, desconhecedoras do idioma pátrio, que não entendiam os diálogos entre os deslumbrados frequentadores das orgias no litoral baiano, afinal a linguagem que aproximava a todos é universal.
Desses bacanais muitos negócios emergiram engordando os cofres do banco Vacariano , investimentos duvidosos que assaltaram cofres públicos em todo o país. Contratos de assessoria jurídica milionários, nunca dantes conhecidos no mundo jurídico brasileiro. Viagens em jatos de propriedade do “banqueiro “, deslumbrando especialmente a classe política e alguns magistrados. O senhor Vorcaro, enquadrou muita gente grande. Seus negócios, para quem tem o mínimo de discernimento não passavam de pirotecnia suja e desonesta, menos aos beneficiários das suas festanças, viagens e contratos fabulosos.
O Brasil não pode fechar os olhos diante de um escândalo de tamanha proporção, comandado por um suposto banqueiro que, na verdade, comandava uma organização criminosa, com atuação no desvio de recursos financeiros de investidores inocentes e aplicadores de dinheiro público desonestos, esquema de corrupção e até sicários perversos. Mas, a festa acabou. E agora José?
*Edson Guimarães
Advogado e especialista em Direito Eleitoral.