Com o título “Encruzilhada”, eis artigo de Fátima Vilanova, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará. “O Brasil está numa encruzilhada. O momento, mais do que nunca, exige discussão desapaixonada sobre o que fazer para cortar na raiz tudo que propicia os vícios, privilégios, compadrio, corrupção, na atividade política. Chega de salvadores da pátria, que só produzem autoritarismo, e agravamento dos problemas”, expõe a articulista.
Confira:
O Brasil está dividido. Trinta por cento dos eleitores votam em Lula para presidente, 30%, em candidatos da direita, 40% não tem a quem recorrer, não se sentem representados pelos candidatos ao Planalto. Que situação trágica. Ninguém merece votar em quem abomina, para livrar-se de um mal maior, com um tal do voto útil. Útil para quem? Isto só atrasa o país.
O que fazer nesta situação? O momento é oportuno para se pensar sobre o que faz o candidato de cada lado ser abominado pelos eleitores. Qual o grande pecado, ou pecados, de cada um? As redes sociais estão fervendo, postando verdades, meias verdades, fake news, discursos de ódio, num caldeirão de paixões, que está longe de divisar caminhos. A paixão é cega, o amor é cego, nos dois lados.
O mais preocupante é a naturalização da corrupção, observando-se os dois lados fazendo vista grossa sobre as denúncias envolvendo personagens do seu próprio lado, com os crimes praticados pelo banco Master e pelo INSS. Ninguém pede a instalação da CPMI do Banco Master, outros calam-se sobre a blindagem de personagens da política, ninguém se preocupa se há verdade no que está sendo denunciado. Se amanhã os personagens corruptos estiverem juntos, tudo será perdoado, esquecido e não se falará mais nisso.
Questões importantes precisam ser discutidas, com urgência, para enfrentar os pecados dos candidatos à presidência. O pecado do Lula é gastar mais do que arrecada, não fazer o ajuste fiscal necessário à redução da inflação, e, consequentemente, da taxa Selic. A dívida pública só cresce, sem paradeiro à vista. Em junho deste ano, ela foi de R$9,27 trilhões (Tesouro Nacional), com estimativa de chegar a R$10,3 trilhões no final do ano. Outro pecado é não reduzir o tamanho do Estado, elevando impostos para sustentá-lo, penalizando famílias e empresas, com endividamento, comprometendo a economia e a qualidade de vida de todos.
O pecado dos candidatos da direita é ter como principal compromisso de governo livrar da prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro, e impedir a aprovação do fim da escala 6×1, que prevê redução na jornada de trabalho de 44 para 40 horas, com cinco dias de trabalho por dois de descanso, sem redução de salário. Os candidatos da direita só defendem os interesses dos patrões, e os trabalhadores, que são maioria
entre os apoiadores nas redes sociais, ignoram esta verdade cristalina. Observa-se uma cegueira coletiva, todos enganados com discursos de combate à corrupção e defesa da família.
O Brasil está numa encruzilhada. O momento, mais do que nunca, exige discussão desapaixonada sobre o que fazer para cortar na raiz tudo que propicia os vícios, privilégios, compadrio, corrupção, na atividade política. Chega de salvadores da pátria, que só produzem autoritarismo, e agravamento dos problemas. Proponho um debate pela sociedade brasileira sobre as bandeiras do Movimento pela Moralização da Política: fim da reeleição, fim do loteamento da máquina pública, fim das emendas parlamentares, instituição de concurso público de provas e títulos para o acesso a cargo de ministros das Cortes superiores e dos Tribunais de Contas. Tais mudanças propiciarão as condições necessárias à elevação da credibilidade da política e aos avanços econômicos, e sociais.
*Fátima Vilanova
Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), autora do livro “Está tudo errado…” (Disponível na Amazon) e criadora do Movimento pela Moralização da Política.
(Acompanhe no YouTube: @fatimavilanova6810).