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“Enquanto presídios enfrentam tensão diária, policiais penais seguem sem plano de carreira” – Por Joelia Silveira

Joelia Silveira é presidente do Sindippen/CE. Foto: Divulgação

O governo do Ceará parece seguir ignorando uma categoria que luta há mais de três décadas por um plano de carreira. Os policiais penais aguardam a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, considerado um passo importante para a valorização profissional e para a organização da carreira dentro do sistema prisional. A expectativa aumentou nos últimos meses porque o cálculo do impacto financeiro da proposta já estaria pronto desde fevereiro de 2026. Mesmo assim, até agora a reunião necessária para discutir o encaminhamento do tema ainda não foi marcada.

A demora gera preocupação dentro da categoria por causa do calendário legal. Em ano eleitoral existem prazos para a criação ou ampliação de despesas com pessoal no serviço público. De acordo com as regras da legislação eleitoral, medidas dessa natureza precisam ser encaminhadas antes do início das restrições que passam a valer nos meses que antecedem o pleito. Na prática, o prazo costuma se concentrar até o início de abril. Caso esse período seja ultrapassado, qualquer avanço pode acabar ficando para depois das eleições, prolongando ainda mais uma espera que já ultrapassa trinta anos.

Essa situação contrasta com a importância do trabalho desempenhado pelos policiais penais dentro da segurança pública. Quando se fala em segurança, a imagem mais comum costuma ser a das ruas e das grandes operações policiais. Existe, no entanto, uma parte fundamental desse sistema que funciona longe dos holofotes. Trata-se do interior das unidades prisionais, onde esses servidores garantem a custódia das pessoas privadas de liberdade, mantêm a disciplina interna e ajudam a impedir que organizações criminosas utilizem os presídios como espaços de articulação.

A rotina dentro dos presídios está longe de ser simples, especialmente em um cenário de superlotação. O sistema prisional do Ceará convive com um déficit estimado de cerca de sete mil vagas para alcançar uma condição considerada adequada. Esse quadro significa mais pessoas dentro das celas e um ambiente de tensão constante. Nesse contexto, os policiais penais precisam acompanhar cada movimentação, para prevenir conflitos e manter o equilíbrio dentro das unidades.

O dia a dia também envolve lidar com situações delicadas como tentativas de resgate, pressões de grupos criminosos e episódios de tensão entre internos. Mesmo diante dessas condições, eles seguem cumprindo a missão de garantir o funcionamento do sistema prisional e a segurança das unidades. Valorizar o trabalho dos policiais penais significa reconhecer um dos pilares da segurança pública. Avançar na implantação do plano de carreira representa mais do que atender uma reivindicação histórica. É uma forma de demonstrar respeito a profissionais que sustentam o funcionamento das unidades prisionais e contribuem para a segurança da sociedade.

Joelia Silveira é presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Ceará (Sindppen/CE)

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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