Com o título “Entre a aprovação e a estrutura: o momento do governo Elmano”, eis artigo de Cleyton Monte, cientista político. “Esse cenário se densifica quando observado à luz do alinhamento federativo. A presença política de Luiz Inácio Lula da Silva e a atuação estratégica de Camilo Santana estruturam um eixo de cooperação que potencializa investimentos e acelera políticas estruturantes. Forma-se, assim, um arranjo coordenado: Lula no plano nacional, Camilo na interlocução federal e Elmano na execução estadual. Não se trata apenas de proximidade partidária, mas de integração institucional”, expõe o articulista.
Confira:
Os índices recentes de avaliação do governo Elmano de Freitas, situados na faixa de 68% a 70%, não devem ser lidos como mera oscilação estatística. Eles sinalizam a consolidação de um arranjo político-administrativo que combina desempenho, coordenação institucional e alinhamento federativo. Na política, popularidade consistente raramente é obra do acaso; é resultado de estrutura.
O primeiro elemento explicativo reside na capacidade de entrega. Governos subnacionais são avaliados, sobretudo, pela materialidade das políticas públicas. Quando obras são retomadas, investimentos se distribuem pelo território e programas sociais alcançam escala, produz-se um ambiente de previsibilidade administrativa. E previsibilidade, em cenários de instabilidade nacional, converte-se em ativo político. A literatura sobre comportamento eleitoral é clara ao apontar que eficiência percebida impacta diretamente a confiança institucional.
Há, contudo, um segundo vetor igualmente relevante: a reorganização da comunicação governamental. A gestão passou a operar com maior coordenação narrativa, articulando agenda, metas e resultados. Em contextos marcados por intensa disputa simbólica, a ausência de narrativa produz desgaste; a presença de direção estratégica reduz ruídos. Comunicação, aqui, não é estética, mas método de governo.
O terceiro componente é a ampliação da articulação política. A aproximação com prefeitos e deputados estaduais reforça a capilaridade territorial e fortalece a governabilidade. A tradição política cearense demonstra que estabilidade administrativa depende de coordenação entre Executivo e lideranças municipais. Ao adotar postura pragmática e cooperativa, o governo amplia sua base de sustentação e distribui apoio de forma mais homogênea pelo território.
Esse cenário se densifica quando observado à luz do alinhamento federativo. A presença política de Luiz Inácio Lula da Silva e a atuação estratégica de Camilo Santana estruturam um eixo de cooperação que potencializa investimentos e acelera políticas estruturantes. Forma-se, assim, um arranjo coordenado: Lula no plano nacional, Camilo na interlocução federal e Elmano na execução estadual. Não se trata apenas de proximidade partidária, mas de integração institucional.
Ainda assim, a política não opera em linha reta. Aprovação elevada não elimina tensões, não neutraliza a oposição, não resolve os dilemas fiscais nem antecipa os rearranjos eleitorais que se desenham. O que se observa, neste momento, é a construção de uma posição favorável no tabuleiro — sustentada por desempenho e coordenação. Transformar essa vantagem em estabilidade duradoura dependerá menos dos números atuais e mais da capacidade de manter consistência em um ambiente político que, por definição, é dinâmico. Afinal, na política, liderança é sempre provisória. O jogo segue aberto.
*Cleyton Monte
Cientista político.