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“Entre duas mãos” – Por Suzete Nocrato

Suzete Nocrato é jornalista e Mestra em Comunicação Social da UFC. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Entre duas mãos”, eis mais um texto de Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará.

Confira:

Minha vida cabe entre duas mãos.

Uma é pequena, macia e ainda insegura. É a de minha neta, de um ano e dois meses, que me procura quando tenta andar apressada. A outra é fina, marcada pelo tempo. É de minha mãe, aos 88 anos, buscando a minha para caminhar com mais firmeza.

No último fim de semana, elas se encontraram. Fiquei olhando para as duas. Naquele encontro, desejei, em silêncio, que Lílian pudesse conhecer a bisavó como eu a conheci.

Que aprendesse com sua paciência, com o jeito manso de tratar as pessoas e com essa bondade discreta que nunca a abandonou.

Minha mãe mora comigo. Com ela, acabei adquirindo o hábito de dormir até mais tarde — um costume que ela cultiva desde a juventude, mesmo na época em que os filhos ainda eram pequenos. Hoje, depois de tudo o que enfrentou ao longo da vida, ninguém tem coragem de apressá-la.

Em casa, o dia só começa quando ela se levanta. Nesse momento as portas são abertas, as janelas escancaradas, a luz invade os cômodos, o cheiro do café se espalha e a casa ganha movimento.

Apesar da correria do dia a dia, reservo duas manhãs da semana para Lílian. São horas felizes dedicadas a acompanhar de perto cada descoberta: um passo sem cair, uma palavra nova, a alegria de abrir uma gaveta, empilhar dois brinquedos ou colocar a roupa suja no cesto. Tudo merece aplausos. Às vezes me vejo nela, especialmente quando faz birra para não dormir ou tenta impor sua vontade aos pais.

Já com minha mãe, as vitórias passaram a ser outras: um dia com pouca tosse — ela tem asma e enfisema —, uma noite inteira de sono, uma caminhada sem falta de ar.

Há momentos em que as cenas parecem se repetir. Lílian precisa que eu a proteja das tomadas, das escadas e dos móveis, enquanto dona Lúcia depende que eu retire os tapetes para evitar uma queda.

Com ambas, descobri que cuidar não é fazer grandes coisas. Quase sempre, é repetir pequenos gestos, como dar o remédio, preparar refeições, acompanhar consultas e ouvir a mesma história pela décima vez sem demonstrar impaciência. É aplaudir um brinquedo encaixado como se fosse uma grande vitória.

Não sei até quando terei minha mãe ao meu lado. Também não faço ideia de tudo o que minha neta viverá daqui para frente.

Mas sigo de mãos dadas com uma menina que começa a vida e uma mulher que já atravessou quase nove décadas, pois é ao lado das duas que mais aprendo sobre o amor e a presença

*Suzete Nocrato

Jornalista e mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará

suzete.nocrato@gmail.com

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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