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“Entre o progresso e o atraso: por que voto Ciro Gomes” – Por João Arruda

João Arruda é sociólogo e professor aposentado da UFC. Foto: Arquivo Pessoal

Em manifestação de voto aberto, o sociólogo e professor aposentado da UFC, João Arruda, justifica,neste artigo enviado para o Blogdoeliomar, a sua preferência pela pré-candidatura Ciro Gomes. O espaço também é aberto para a manifestação em defesa de outras pré-candidaturas.

Confira:

A sucessão presidencial que se avizinha, marcada para outubro, apresenta-se como um dos cenários mais adversos já enfrentados por um presidente em exercício desde a redemocratização. O governo Lula chega ao ano eleitoral politicamente fragilizado, sem base social consistente, com baixíssima capacidade de expansão eleitoral e sem o apoio indispensável de setores representativos do establishment brasileiro, principalmente a grande mídia e o setor financeiro, que já sinalizam que não darão mais apoio à sua reeleição. Envolto em um universo de corrupção, o quadro sucessório nacional revela um isolamento crescente do PT, traduzido na expectativa de eleger apenas um governador – do Piauí – e um desempenho pífio na disputa por cadeiras no Senado e na Câmara dos Deputados.

Esse enfraquecimento político não é fruto do acaso, mas consequência direta de um governo que, ao longo de seus três primeiros anos, não conseguiu entregar uma única realização estrutural capaz de mobilizar a opinião pública ou de produzir algum legado positivo. A ausência de agenda reformista, a paralisia administrativa e a incapacidade de apresentar um projeto minimamente coerente de desenvolvimento nacional corroeram rapidamente a credibilidade do ex-presidiário e de sua equipe. O resultado é um governo medíocre que governa para dentro, sustentado por discursos, slogans e narrativas, mas desconectado das grandes demandas do país.

No campo econômico, o cenário é ainda mais devastador. A política fiscal adotada pelo governo Lula revela-se flagrantemente irresponsável com seus sucessivos deficit anuais, elevando a dívida interna brasileira ao patamar alarmante de R$ 10 trilhões e submetendo o país a uma taxa básica de juros anual de 15%, uma das mais altas do mundo. Esse ambiente de irresponsabilidade fiscal, combinado com a insegurança jurídica e a falta de previsibilidade, afugenta investimentos, paralisa o crescimento e penaliza duramente a população, sobretudo os mais pobres, que pagam a conta da inflação, do crédito caro e do desemprego disfarçado.

Como se o fracasso administrativo e econômico não bastasse, a imagem do governo petista é corroída também por uma sequência de escândalos de corrupção que reacendem, no imaginário coletivo, o DNA histórico do petismo. Desde o início do mandato, denúncias sucessivas minam qualquer tentativa de reconstrução de imagem ética do governo, reforçando a percepção de que a corrupção não é um desvio ocasional, mas um elemento estrutural do seu modus operandi de governar.

Os últimos escândalos envolvendo o INSS, com vergonhoso e perverso assalto ao bolso de milhões de pobres e indefesos aposentados e pensionistas, e o colapso do Banco Master, apontado como o maior escândalo financeiro da história do país, ambos com a participação direta de membros dos três poderes e de familiares do presidente Lula, aprofundam ainda mais a crise de confiança no governo petista.

Esses episódios não apenas comprometem de forma irreversível a sua imagem, como pavimentam o caminho para um fracasso eleitoral previsível, transformando a sucessão presidencial de outubro em um plebiscito entre dois modelos de governança. De um lado, a incompetência administrativa, a irresponsabilidade fiscal, a insegurança jurídica, a promiscuidade política e a corrupção endêmica petista, e, do outro, um projeto de governo republicano, com um claro e exequível projeto de desenvolvimento nacional includente, com a diminuição do Estado e com extrema responsabilidade fiscal e segurança jurídica.

Refletindo o colapso petista no plano nacional e reforçado pela inoperância do governo Elmano, o cenário sucessório cearense assume contornos cada vez mais nítidos e assimétricos. As pesquisas de intenção de voto, já amplamente conhecidas do público, revelam crescimento expressiva e consistente de Ciro Gomes sobre o atual governador Elmano de Freitas. E essa vantagem não é produto de slogans, peças publicitárias ou truques de marketing eleitoral, mas de algo mais profundo e duradouro: um legado administrativo que permanece vivo no imaginário político do Ceará. Ciro reaparece não como promessa, mas como memória concreta de um gestor que funcionou, decidiu e avançou quando foi chamado a fazê-lo.

Como a história registra, em sua breve passagem na administração da cidade de Fortaleza (1989-1990), onde herdou uma máquina administrativa desorganizada, deficitária e marcada pela improvisação administrativa e pelo descontrole financeiro da gestão Maria Luiza, Ciro Gomes conseguiu estabeleceu uma radical ruptura administrativa, com ênfase no saneamento administrativo e financeiro, na reorganização da estrutura administrativa, com foco na eficiência e nas práticas republicanas. Nesse curto período, Ciro despolitizou a máquina pública, valorizando os quadros técnicos e restabeleceu o diálogo institucional com setores empresariais, servidores e governo estadual.

Como governador do Ceará (1991-1994), ao assumir o mandato, Ciro não só deu continuidade a política do “Governo das Mudanças” do governo Tasso Jereissati como aprofundou esse modelo. Além de preservar a responsabilidade fiscal, deu continuidade ao planejamento estratégico, com fortes investimentos nas áreas de infraestrutura hídrica, na educação, saúde e segurança pública. Não foi por acaso que, ao término da sua gestão, Ciro Gomes foi avaliado com os índices mais altos entre todos os gestores estaduais do Brasil.

Nesse contexto, mais do que uma simples disputa eleitoral pelo comando do Executivo estadual, a eleição deste em nosso Estado assume também um caráter claramente plebiscitário. O cearense não escolherá apenas um nome, mas será convocado a decidir entre dois modelos antagônicos de governança. De um lado, um padrão administrativo já testado e exitoso – marcado por decisão, planejamento estratégico, responsabilidade fiscal e por uma política de segurança responsável, intolerante com a violência e a impunidade -, marcas indeléveis do modelo Ciro Gomes de governar.

Do outro, a tentativa de perpetuação do atraso representado pelo modus operandi petista de governar: ausência de um projeto de governo minimamente exequível, irresponsabilidade fiscal, inchaço da máquina pública, paralisia decisória e ineficiência administrativa. A existência de 40 secretarias, caras, desnecessárias e politicamente loteadas, não é um detalhe técnico, mas o símbolo acabado de uma gestão fragmentada, refém de acomodações partidárias, que abdica de critérios técnicos e é conivente com o crime organizado, que rouba, extorque, desapropria e oprime um número crescente de cearenses.

Em síntese, em outubro, tanto a nível federal como estadual, os brasileiros serão chamados a optar entre o progresso e a miséria!

*João Arruda

Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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