“Entre o projeto e a revanche: o que está em jogo na eleição do Ceará” – Por Cleyton Monte

Cleyton Monte é cientista político e diretor-presidente do Centec. Foto: Divulgação

Com o título “Entre o projeto e a revanche: o que está em jogo na eleição do Ceará”, eis artigo de Cleyton Monte, cientista político e professor universitário. “Toda democracia precisa de oposição, fiscalização e crítica. O problema surge quando a crítica substitui o projeto e antigas divergências são suspensas para transformar a eleição em um acerto de contas. Ressentimentos podem mobilizar eleitores, mas não constituem um programa de governo”, expõe o articulista.

Confira:

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Ceará confirmou que a campanha será marcada pelo confronto direto, sobretudo na segurança pública. Por trás das acusações, entretanto, há uma questão mais profunda: o Estado escolherá entre a continuidade de um projeto político com resultados e capacidade institucional ou uma coalizão organizada, principalmente, para interrompê-lo.

A candidatura de Ciro Gomes reuniu PSDB, União Brasil e PL, aproximando Roberto Cláudio, Capitão Wagner e setores do bolsonarismo cearense. A amplitude dessa aliança chama atenção, mas também revela sua fragilidade: existe mais convergência contra o PT e Elmano de Freitas do que consenso sobre o Ceará que se pretende construir.

Toda democracia precisa de oposição, fiscalização e crítica. O problema surge quando a crítica substitui o projeto e antigas divergências são suspensas para transformar a eleição em um acerto de contas. Ressentimentos podem mobilizar eleitores, mas não constituem um programa de governo.

Elmano representa a continuidade de um ciclo que consolidou avanços na educação, ampliou políticas sociais, retomou investimentos e fortaleceu a cooperação com os municípios. Sua articulação com Lula, Camilo Santana e Cid Gomes amplia a capacidade de integrar ações, atrair recursos e manter políticas que dependem da parceria entre União, Estado e prefeituras.

Continuidade, porém, não pode significar acomodação. A segurança pública exige respostas mais rápidas, inteligência, prevenção e presença efetiva do Estado nos territórios. Defender um projeto também significa reconhecer limites, corrigir falhas e apresentar resultados com transparência.

Problemas complexos não desaparecem com frases de efeito. Os avanços do Ceará, especialmente na educação, resultam de políticas de Estado construídas por governos, municípios, gestores e professores. Não pertencem exclusivamente a uma liderança, mas à continuidade institucional.

O contraste está colocado: de um lado, um projeto que precisa avançar e renovar sua agenda; de outro, uma frente heterogênea, unida pelo objetivo imediato de derrotar o governo. O Ceará não precisa de complacência, mas também não deve transformar ressentimentos em programa. Precisa preservar conquistas, enfrentar seus desafios e construir um futuro maior do que as disputas pessoais de seus líderes.

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