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“Ética Cortesã” – Por Gera Teixeira

Gera Teixeira é empresário e jornalista.

Com o título “Ética Cortesã”, eis artigo de Gera Teixeira, jornalista e empresário. “A ética verdadeira não protege pessoas do exame; protege princípios da conveniência. Não exige espetáculo, linchamento ou precipitação. Exige apenas que amizade, hierarquia e espírito de corpo não sejam promovidos a causas de absolvição”, expõe o articulista.

Confira:

Há uma nova disciplina moral circulando pelos salões do poder: a ética cortesã. Não consta de Aristóteles, Kant ou Tomás de Aquino. Nasceu prática, adaptável e bem penteada. Seu primeiro mandamento é simples: a virtude começa onde termina o constrangimento do colega.

Na ética comum, lealdade não significa encobrir. Na cortesã, porém, a toga lava a toga, o silêncio absolve e a indignação só entra em cena depois de consultar o cerimonial. Não se pergunta se o fato é grave, mas se a revelação seria deselegante. O escândalo deixa de ser a conduta e passa a ser a indiscrição.

É uma moral de salão: todos conhecem a mancha no tapete, mas o culpado é quem acende a luz. Convém falar em princípios com voz solene, desde que nenhum deles produza consequências entre pares. Para os estranhos, a régua; para os íntimos, a interpretação da régua. E, se alguém notar a diferença, abre-se um seminário sobre prudência institucional.

Nesse ambiente floresce o brado: “Até a máfia tem mais ética!” A frase pretende denunciar o abismo, mas termina prestando involuntária homenagem ao crime organizado. Afinal, organizações clandestinas também cultivam códigos de silêncio, proteção recíproca e punição a quem expõe a família. Chamar isso de ética é permitir que a malandragem se perfume e compareça ao jantar vestida de consciência.

A ética verdadeira não protege pessoas do exame; protege princípios da conveniência. Não exige espetáculo, linchamento ou precipitação. Exige apenas que amizade, hierarquia e espírito de corpo não sejam promovidos a causas de absolvição.

A ética cortesã faz o contrário. Troca a consciência pela etiqueta, a responsabilidade pela compostura e a verdade pelo bom convívio. Depois ergue a taça, celebra a própria dignidade e pede silêncio aos criados.

Tudo muito civilizado. Até que alguém acenda a luz.

Gera Teixeira

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Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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