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“Expocrato 2026: A Festa Deve Ser a Protagonista” – Por Leopoldo Martins

Leopodo Martins é advogado e membro da Comissão Eleitoral da OAB-Ceará.

Com o título “Expocrato 2026: A Festa Deve Ser a Protagonista”, eis artigo de Leopoldo Martins, advogado, membro consultor da Comissão Eleitoral da CFOAB e membro efetivo da Comissão Eleitoral da OAB do Ceará. “A atenção deve se voltar especialmente para a Expocrato e para o Festival Expocrato, eventos que reúnem milhares de pessoas e artistas de projeção nacional, constituindo importante patrimônio cultural, econômico e turístico do Cariri. Sua finalidade não pode ser desviada para atender interesses eleitorais de candidatos, agentes públicos ou grupos políticos”, expõe o articulista.

Confira:

Os episódios recentemente verificados durante os festejos de Santo Antônio, em Barbalha – embates entre ciristas e elmanistas – servem de alerta para o Ministério Público Eleitoral e demais órgãos de fiscalização. Em ano de eleições, torna-se indispensável a adoção de medidas preventivas para impedir que grandes eventos populares sejam utilizados como instrumentos de promoção política.

A atenção deve se voltar especialmente para a Expocrato e para o Festival Expocrato, eventos que reúnem milhares de pessoas e artistas de projeção nacional, constituindo importante patrimônio cultural, econômico e turístico do Cariri. Sua finalidade não pode ser desviada para atender interesses eleitorais de candidatos, agentes públicos ou grupos políticos.

A experiência de anos anteriores demonstrou situações que merecem acompanhamento rigoroso, como a existência de espaços e camarotes destinados, na prática, a apoiadores, cabos eleitorais e pessoas vinculadas a pré-candidatos. Embora a convivência entre política e eventos públicos seja inevitável, a utilização de estruturas privilegiadas para ampliar
visibilidade eleitoral compromete a igualdade de oportunidades entre os concorrentes.

Outro fenômeno que merece reflexão é a crescente transformação dos espaços populares da festa em ambientes de disputa política. Nos últimos anos, muitos frequentadores deixaram as áreas superiores do parque de exposições, ocupadas por grandes redes de restaurantes, bares e estabelecimentos que passaram a praticar preços considerados excessivamente elevados por parcela significativa do público. Em grande medida, essa realidade decorre dos altos custos de exploração comercial cobrados pela gestão do evento, valores que acabam sendo repassados ao consumidor final.

Como consequência, grande parte do público migrou para o espaço popularmente conhecido como “Inferninho”. O que para alguns é apenas um setor alternativo da festa, para muitos representa justamente o contrário: um ambiente mais acessível, democrático e compatível com as condições financeiras da população. Não por acaso, diversos frequentadores passaram a chamá-lo de verdadeiro “céu” da Expocrato.

Percebendo a enorme concentração de pessoas naquele local, políticos e pré-candidatos passaram a intensificar sua presença no espaço, promovendo aquilo que popularmente se convencionou chamar de “muído”. A movimentação ganha ainda mais repercussão com a presença de artistas e cantores contratados para o Festival Expocrato, cuja popularidade acaba servindo de pano de fundo para aproximações, fotografias, exposições públicas e demonstrações de capital político.

Ocorre que muitos frequentadores têm manifestado desconforto com essa crescente ocupação política de um ambiente que buscavam justamente para fugir dos excessos existentes em outros setores do evento. Soma-se a isso a chegada gradual de grandes estabelecimentos comerciais ao próprio “Inferninho”, reproduzindo práticas de preços elevados que motivaram a migração do público para aquele espaço.

A legislação eleitoral proíbe a propaganda antecipada e reprime condutas que possam caracterizar abuso do poder político ou econômico. Dependendo das circunstâncias, a utilização de eventos de grande repercussão para promoção pessoal pode ensejar sanções eleitorais relevantes.

Por essa razão, espera-se atuação preventiva do Ministério Público, da Justiça Eleitoral e dos organizadores, mediante fiscalização e orientações claras capazes de preservar a lisura do processo eleitoral.

A Expocrato deve permanecer como protagonista de sua própria história. O público comparece para celebrar a cultura, a música, os negócios, a tradição e a identidade do Cariri. Preservar essa essência é garantir que um patrimônio coletivo não seja transformado em instrumento de promoção eleitoral circunstancial, protegendo não apenas a festa, mas também a própria democracia.

*Leopoldo Martins

Advogado, membro consultor da Comissão Eleitoral da CFOAB e membro efetivo da Comissão Eleitoral da OAB do Ceará.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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