“Fantasias Sexuais” – Por Zenilce Bruno

Zenilce Bruno é psicóloga e sexóloga. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Fantasias Sexuais”, eis artigo de Zenilce Bruno, psicóloga e sexóloga. “Na sexualidade, a fantasia ocupa um lugar privilegiado. Ela rompe a rotina, desperta o desejo e permite que mente e corpo se encontrem de forma mais intensa. O devaneio amplia o erotismo, favorece a intimidade e transforma uma simples convivência em uma experiência mais rica e significativa”, expõe a articulista.

Confira:

Já dizia Eça de Queiroz que “a ilusão é tão útil quanto a certeza”. A frase continua atual quando pensamos na importância da fantasia para a vida humana e, especialmente, para a sexualidade. Sonhar, imaginar e fantasiar não significam fugir da realidade, mas enriquecê-la, ampliando nossas possibilidades de sentir, desejar e criar.

A fantasia pode traduzir a esperança de um mundo melhor, inspirar projetos, fortalecer vínculos e favorecer o crescimento pessoal. Também pode, quando desconectada da realidade, transformar-se em sofrimento. Como toda expressão da vida psíquica, seu valor depende da maneira como é vivida e integrada à experiência cotidiana.

Fantasiamos encontros, viagens, mudanças, conquistas, reencontros e inúmeras situações que gostaríamos de experimentar. Da mesma forma, imaginamos perdas, fracassos e medos. Essa capacidade de criar cenários faz parte da condição humana e alimenta a criatividade, a arte, a ciência e as relações afetivas.

Na sexualidade, a fantasia ocupa um lugar privilegiado. Ela rompe a rotina, desperta o desejo e permite que mente e corpo se encontrem de forma mais intensa. O devaneio amplia o erotismo, favorece a intimidade e transforma uma simples convivência em uma experiência mais rica e significativa. É no universo da imaginação que muitos casais descobrem novas formas de expressar carinho, cumplicidade e prazer.

Na prática clínica, observo que muitas pessoas apresentam dificuldade para reconhecer ou expressar seus desejos. Exercitar a imaginação pode ser um importante recurso terapêutico, pois amplia o autoconhecimento e fortalece a liberdade de viver a sexualidade com autenticidade. Fantasiar é uma capacidade humana que pode ser estimulada e desenvolvida.

Quando compartilhadas com respeito, diálogo e consentimento, as fantasias aproximam o casal, ampliam a confiança e fortalecem os vínculos afetivos. Compartilhar uma fantasia não significa, necessariamente, desejar realizá-la. Muitas permanecem no campo da imaginação e cumprem ali sua função de alimentar o erotismo e renovar o encontro amoroso.

Em uma sociedade marcada pelo imediatismo, pela pressa e pelo empobrecimento das relações, preservar a capacidade de imaginar talvez seja também uma forma de preservar nossa humanidade. A fantasia sexual, longe de ameaçar o amor, pode protegê-lo da indiferença, da monotonia e do isolamento emocional. Afinal, é pela imaginação que o desejo se renova, a intimidade se fortalece e o amor encontra novos caminhos para continuar vivo, criativo e profundamente humano.

*Zenilce Bruno

Psicóloga e sexóloga

zenilcebruno@uol.com.br

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