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“Festa de posse no Instituto do Ceará” – Por Barros Alves

Barros Alves é jornalista e poeta

“O Instituto do Ceará figura entre os pioneiros, antecedendo muitos de seus pares estudados na literatura especializada sobre a construção da memória intelectual regional”, aponta o jornalista e poeta Barros Alves

Confira:

Em solenidade realizada nesta semana, na terça-feira (10), pelo Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), foram empossados os sócios efetivos Reginaldo Vasconcelos, Joaquim Melo e Angélica Sampaio, bem como os sócios colaboradores Marcos Praxedes e Luciano Dídimo, personalidades de elevada estirpe intelectual, indiscutivelmente merecedores do lugar que ora ocupam no Instituto. De logo, no entanto, ressalto com especial atenção o ingresso no Instituto do preclaro amigo e mestre Reginaldo Vasconcelos, presidente da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, menestrel, cronista e garimpeiro de fatos e mitos que compõem o arcabouço histórico do Ceará, em especial de Fortaleza.

A solenidade ocorrida no Instituto, sob a liderança sábia e serena do historiador Seridião Montenegro, constituiu um dos momentos mais significativos do calendário acadêmico e cultural do Estado do Ceará por agora, celebrando a chegada de novos membros à mais antiga instituição de pesquisa e preservação histórica do nosso estado. Fundado em 4 de março de 1887, o Instituto dedica-se à produção, à difusão e à preservação do conhecimento nas áreas da História, Geografia e Antropologia, com ênfase na trajetória do Ceará e das culturas que o compõem, missão reconhecida nacionalmente e sustentada por mais de um século de produção intelectual e cultural no Brasil.

O Instituto do Ceará tem sido uma referência na pesquisa acadêmica, no levantamento e conservação de acervos, na publicação de trabalhos especializados e na promoção de debates que reforçam a identidade cultural e o entendimento crítico da sociedade cearense. Organizado como uma sociedade civil sem fins lucrativos, a instituição conta com biblioteca volumosa, hemeroteca, museu, laboratórios de conservação e espaços para eventos científicos, todos voltados para aprofundar o conhecimento sobre as múltiplas dimensões do passado e do presente da região.

Este corpo de saber fortalece não apenas a história local, mas dialoga com perspectivas antropológicas e geográficas que elucidam como comunidades, territórios e culturas se transformam ao longo do tempo e como esses processos influenciam as dinâmicas sociais do Nordeste brasileiro. No contexto dos institutos históricos e geográficos do Brasil, o Instituto do Ceará figura entre os pioneiros, antecedendo muitos de seus pares estudados na literatura especializada sobre a construção da memória intelectual regional.

Realizada na sede da instituição, no Palacete Jeremias Arruda, importante patrimônio arquitetônico de Fortaleza, a sessão solene reuniu associados, familiares, pesquisadores, autoridades e convidados para a posse oficial dos novos sócios efetivos e colaboradores, que passam a integrar a comunidade científica e cultural do Instituto. O evento segue a tradição de posse de membros escolhidos por eleição, sempre que surgem vagas por falecimento ou remissão de sócios efetivos.

Durante o evento, a sócia Greciany Carvalho realizou uma discursiva recepção aos novos membros, destacando, com rigor intelectual e sensibilidade, as qualidades de cada um dos empossados. Seu pronunciamento ressaltou a importância da erudição, da dedicação à pesquisa e da disposição para aprofundar o entendimento sobre as múltiplas histórias que constituem o Ceará. Ela destacou o compromisso coletivo com o avanço do conhecimento, a preservação documental e a contribuição de cada novo integrante para fortalecer ainda mais a missão do Instituto como um espaço de reflexão crítica e produção científica.

Segundo seu discurso, os empossados representam um aporte significativo de perspectivas e capacidades intelectuais: desde pesquisadores com forte atuação em temáticas antropológicas até especialistas empenhados na interpretação geográfica dos espaços cearenses, passando por historiadores cujo trabalho ilumina aspectos negligenciados da vida social e cultural regional. Essa diversidade de saberes foi apresentada como um trunfo para manter vivo o compromisso institucional com a preservação da memória coletiva, o incentivo à pesquisa rigorosa e a interlocução com o público e com políticas culturais e educacionais.

A cerimônia de posse não é apenas um ato formal de acolhimento de novos membros, mas simboliza a continuidade de um projeto de longa duração que busca manter viva a reflexão crítica sobre o passado para iluminar o presente e o futuro. Em um tempo em que as culturas locais enfrentam desafios de homogeneização global e de esquecimento das suas próprias histórias, o fortalecimento de instituições como o Instituto do Ceará se mostra vital.

Ao empossar novos pesquisadores e colaboradores, o Instituto reafirma seu papel como guardião de saberes e como espaço de construção de sentidos para a coletividade, reforçando a relevância do estudo científico das sociedades humanas, especialmente por meio de um olhar que articula história, geografia e antropologia como disciplinas interdependentes e geradoras de compreensão profunda sobre a vida humana e seus contextos variados.

A solenidade em apreço se inscreve, portanto, como um marco que celebra não apenas trajetórias individuais, mas um compromisso institucional com o conhecimento, com a memória coletiva e com a cultura cearense, colocando novos sócios na vanguarda de um legado que já ultrapassa um século de atividade contínua.

Barros Alves é jornalista e poeta

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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