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“Flávio deve ter concluído: uma inimiga, melhor ter por perto…” – Por Denise Assis

Denise Assis é jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF

“Conspirações, tramoias e a força de Michelle no tabuleiro da extrema-direita”, aponta a jornalista Denise Assis

Confira:

Tudo milimetricamente calculado. Nenhum minuto a mais que parecesse ressentimento incubado. Nenhum dar de ombros a menos que se assemelhasse à capitulação.

Michelle Bolsonaro aprendeu nas adversidades do amadurecimento numa família disfuncional a calcular, a dar o pulo na hora em que precisava se desviar de um novo golpe. E não necessariamente para o bem. Basta olhar as suas atitudes para entender que se trata de alguém disposta a tudo para não perder o espaço conquistado.

E tanto é assim que jogou até o último minuto com os nervos de Flávio Bolsonaro, o “escolhido”, o candidato da ultradireita. Ele, de olho no abismo que se abria aos seus pés – o de chegar à convenção para referendar o seu nome sem o respaldo da madrasta, muito pelo contrário, contando com o seu “largar de mão” –, deve ter lutado internamente entre o machismo de ter que pedir desculpas e o perigo de vê-la por aí, com a língua solta, a contar em capítulos as suas tramoias. (Sim, porque ela é, como se costumava dizer antigamente, “testemunha de vista” de tudo quanto se passou naquela família. Da conspiração do golpe aos descaminhos dos dinheiros).

Até aqui, parecia mesmo que a caprichosa Michelle se divertia vendo o suor frio brotar da testa do enteado, com uma investigação nos calcanhares, aberta por um aliado de peso – o ministro André Mendonça, por quem ela chegou a dar pulinhos. Mendonça quer saber que rumo seguiu o dinheiro de “Dark Horse”. Ela certamente conhece o tamanho do butim e se foi ou não dividido de forma “justa”.

O marido, aquele que continua atendendo telefonemas e dando as coordenadas para o reduto, deve ter-lhe chamado à razão. “Se ganharmos, ganhamos todos. E se perdermos, você também estará lascada”, imagina-se ter dito Jair, ao pé do seu ouvido ornado com brinquinho mimoso.

Antes, cheia de si, confiante no espaço que mordiscou enquanto governo e Centrão tentavam sanar a guerra do orçamento, entre Dino e deputados, a sanha dos juros altos e o pavimentar de uma campanha que promete panos para a manga, batia no chão o scarpin se recusando ao diálogo, confiando que Flávio sucumbiria antes de chegar à convenção, onde ela surgiria, quem sabe, como o nome da hora. Ao ver, porém, que nem a torcida e a implicância de Merval Pereira conseguiram esse feito, ajeitou-se e cedeu. Tacitamente, é bom que se diga. Até a próxima rusga, dirão os mais argutos.

Michelle vestiu azul, encarou um novo vídeo e espera a sorte mudar. Ou vira vice, ou traz o candidato pelo cabresto, controlando o seu PL Mulher, que acabou de reassumir, com a certeza de que as mulheres são 53% da população. Tal como He-Man, ela tem a força.

“A princesa tem votos”, sentenciou o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, para ninguém menos que a primeira-dama do PL, a Dona Dana. Restou a ela engolir em seco e assentir. Como se comportou bem e apenas resfolegou com o marido, mereceu um cumprimento público da czarina Michelle.

De volta à cena, triunfante, ela agora fará a correligionária. Verifiquem às suas costas se Michelle tem os dedinhos cruzados, torcendo para a próxima derrapada. Aposto que sim.

Denise Assis
Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de “Propaganda e cinema a serviço do golpe – 1962/1964” , “Imaculada” e “Claudio Guerra: Matar e Queimar”

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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