“Fortaleza: 300 Anos” – Por João Teles de Aguiar

Professor João Teles. Foto: Reprodução

Com o título “Fortaleza: 300 Anos”, eis artigo de João Teles de Aguiar, professor e historiador. “A cidade precisa de conexões. Não só via celular ou WatsApp, porque tudo isso é frio, indiferente e distante. A cidade quer outro rumo, em muitos setores”, expõe o articulista.

Confira:

O que é que Fortaleza tem a mostrar para o seu morador, no presente aniversário? A História da cidade, desde a Barra do Ceará (no início do Século XVII), até hoje, tem ricos registros e fatos importantes. Mas, e além disso?

A cidade, que nasceu, enquanto urbana pra valer, ali na região da Catedral e do Riacho Pajeú, precisa de mais, muito mais. E as administrações públicas municipais não a tem tratado com o carinho que ela merece.

A Nova Beira Mar é linda, prazerosa e acolhedora. Mas, e o resto da cidade, onde mora tanta gente trabalhadora e de valor? A cidade precisa de mais escolas, avenidas, ruas abertas e largas, espaços esportivos e de convivência… A cidadania pede mais.

A Cidade das Crianças, recém reformada, é um exemplo disso. Agora, e o Paço Municipal tem mesmo que ficar naquele aperto do Centro? Sem falar nos nossos mananciais, que convivem há muito tempo com tanta sujeira e poluição…

A Câmara de Vereadores tem muita culpa nisso, pois tem sido omissa, em muitas discussões, que ou não ocorrem ou deixa a desejar. A Casa precisa ser uma caixa de ressonância do que ocorre, ou deixa de ocorrer, no Município.

Nossas praças, por exemplo, continuam sem vigilância diuturna. Por que não? Todo logradouro público é como um jardim, que precisa de água, adubo e carinho. Onde há, por aqui, uma praça com tudo isso?

Fortaleza carece de mais cuidado. De água paras suas plantas, de dragagem pras suas lagoas e de zelo por suas praias, que são tão lindas e tão cobiçadas, por moradores e turistas.

Outra: Fortaleza bem que poderia ter um Conselho de Moradores exclusivo para conversar com os gestores. Essa gente que gerencia a cidade, grosso modo, vive em uma torre de marfim, longe do povão. E não é pra ser assim.

A cidade precisa de conexões. Não só via celular ou WatsApp, porque tudo isso é frio, indiferente e distante. A cidade quer outro rumo, em muitos setores.

Houve um tempo em que vereadores (notadamente de esquerda) iam às praças para conversar com as pessoas e prestar contas do que faziam. Hoje, nada!

Parafrasendo Léo Jaime: “Oh, oh, oh, tudo mudou!”

E não precisaria mudar. A cidade se ressente da presença de seus representantes do Legislativo. Onde andam eles?

*João Teles de Aguiar

Professor e historiador, integrante do Projeto Confraria de Leitura.

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