Com o título “Fortaleza300 Anos”, eis uma colaboração de Marta Pinheiro, poeta e pós-graduada em Gestão Cultural, atuando como produtora cultural e curadora na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece).
Confira:
Minha Fortaleza — senhora de trezentos anos — acorda de um sonho antigo enquanto caminha sob o brilho do vidro e do aço, tão luzentes e moços, linda, vestida de luz. É uma senhora que não para de nascer.
Sob o fulgor das superfícies espelhadas, há uma cidade antiga que ainda respira, carregando nos olhos o sal do tempo. Guarda, em silêncio, as marés que repetem antigos nomes — num ir e vir que nunca parte.
À noite, a cidade se deita sobre o mar e sonha com o que ainda virá. E, nesse sonho, tudo é possível — até o tempo esquecer de passar.
Há uma cidade dentro da cidade, respirando devagar: uma presença funda que pulsa sob a pele do agora, sustentando o invisível.
Fortaleza é uma senhora que inventou a juventude para não morrer. Trezentos anos, e ainda pulsa como um primeiro dia.
E, no meio de tudo, a cidade respira — lenta, profunda, infinita — como quem sabe, em segredo, que o tempo é apenas mais uma forma de sonho: um sonho que aprendeu a durar.
*Marta Pinheiro
Poeta e pós-graduada em Gestão Cultural, atuando como produtora cultural e curadora na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece).