A capital cearense aguça todos os sentidos. Celebrar trezentos anos da capital cearense é também refletir e contar histórias. Onde nasce a sua Fortaleza? Quais os cheiros e os sabores? Se fosse possível guardar a capital cearense na palma da mão, que textura teria? Estique os dois braços em posição de acolhida para receber um grande presente. A Editora UFC lançou, no ano passado, um concurso literário que reuniu cento e sessenta e cinco autoras e autores que transformaram suas memórias em palavras e afetos por meio de crônicas sobre Fortaleza.
“Um maravilhoso encontro literário”, disse a professora e escritora, Luciana Braga.
Em 2025, a Universidade Federal do Ceará (UFC) divulgou uma chamada pública para o Edital Fortaleza Amada com o objetivo de selecionar crônicas que manifestassem o amor pela capital cearense, para a composição de um livro-coletânea. Os textos enviados foram analisados por uma comissão designada pelo Conselho Editorial da UFC para o Edital Fortaleza Amada, que observou critérios como adequação ao propósito do edital, clareza e fluência da linguagem e qualidade de redação do texto. De 01 a 30 de abril de 2025, os(as) autores(as) enviaram por e-mail seus trabalhos. O resultado da seleção foi divulgado em julho de 2025.
“A obra Fortaleza Amada é o resultado de um encontro plural de olhares e afetos sobre uma cidade. Pele crônicas, as autoras e autores ajudam a fundar a Fortaleza de hoje, sentida e revelada pela palavra e a literatura. É uma coleção de testemunhos do tempo presente, de uma cidade de contradições, riquezas e muita complexidade”, explica a professora Juliana Diniz.
Cavalcante Júnior, professor, organizador da publicação e diretor da Editora UFC, e Juliana Diniz, professora, vice-diretora e editora adjunta na Editora UFC
“Ter meu texto escolhido para um projeto tão grandioso como esse me dá uma sensação de valorização do meu trabalho, visto que não se trata de um projeto qualquer, mas de uma das maiores universidades do país. E está entre grandes nomes da literatura e intelectuais, a exemplo do reitor da UFC, o professor Custódio Almeida, e dos escritores Ana Márcia Diógenes, Ary Albuquerque, Cleide Bernal, Glória Diógenes, Hermínia Lima, Karla Karênina, Lira Neto, Mailson Furtado, Mônica Silveira, Tércia Montenegro, Vanessa Passos, entre outros. Minha crônica está localizada na página 365 do livro e tem como título: “A Praça do Ferreira e seus tipos populares”. Foi um texto construído a partir de pesquisas sobre a Praça do Ferreira, de sua formação até os dias atuais. Por sua importância histórica, decidi escrever sobre os tipos populares que frequentavam esse espaço de sociabilidade, rebeldia e cultura em nossa cidade. Acredito que a Praça do Ferreira, dentre os muitos espaços da cidade, é o que tem uma história e que representa uma memória afetiva de Fortaleza, uma cidade amada. Na minha condição de professor de História, Mestre em História e Culturas (UECE), pesquisador e autor de livros didáticos de história e geografia do Ceará, resolvi escrever uma crônica onde eu pudesse resgatar para o presente as memórias do Cajueiro da Mentira; a figura de Mário Gomes, o poeta descomunal; o grandioso Boticário Ferreira; o excêntrico “Mané Coco”, proprietário do Café Java; o lendário Chagas dos Carneiros, o lendário Pilombeta; o velho Tostão; o folclórico Manezinho do Bispo; o popular Casaca de Urubu; o Andarilho das Medalhas e o Bode Ioiô, entre tantos personagens que fazem parte da memória afetiva de nossa amada Fortaleza”, conta Nonato Nogueira professor, poeta e pesquisador.
Mailson Furtado, Nonato Nogueira e Ivan Melo
Olhares que permeiam a cidade, revelam histórias que vivem nas ruas, nas casas, nas lembranças e no cotidiano de quem a ama.
“É uma diversidade que, no seu conjunto, forma um universo que, de fato, dá conta da cidade de Fortaleza. Sua beleza, seus projetos, suas tristezas, suas dores e, principalmente, nossa vontade de tê-la como um lugar melhor no mundo pra gente viver”, disse Custódio Almeida, reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) no quadriênio 2023-2027, na ocasião do lançamento da obra exclusivo para os autores, no último dia 16 de janeiro, no auditório da Reitoria da UFC.
Foto: Viktor Braga
Uma leitura para guardar, revisar e celebrar a cidade que caminha rumo a três décadas. A jornalista Ana Mary Cavalcante trouxe a crônica “Sonhos de Padaria”. “Ela foi escrita em linhas da memória, puxando o fio da meada de um amor emaranhado por Fortaleza. Porque o amor pela metrópole é assim, “enlinhado” com outros sentimentos. Mas não é só um texto de memória, ou da saudade pela saudade; é um texto que pede uma leitura mais profunda, para ir até uma cidade submersa em cada um de nós. É uma crônica que também festeja Fortaleza. Acho que é algo pessoal, mas transferível também (rs)”, conta a jornalista.
Ana Mary Cavalcante/Foto: Viktor Braga
Fortaleza Amada nasce desse encontro de olhares que pensam, sentem e narram a cidade por diferentes caminhos, do afetivo ao acadêmico, do popular ao artístico.
“Mais do que participar de uma coletânea, participar do Fortaleza Amada é como entrar no tempo da própria cidade, é se perceber parte de um espaço, de um sentimento maior. Sinto que a cidade se alarga com o livro, diante de tantas memórias e percepções vivenciadas com a leitura das crônicas dos 165 escritores e escritoras, entre os quais me incluo. Foi uma honra ter sido convidada para discursar em nome de todos e todas que escreveram crônicas sobre a cidade. Uma imensa responsabilidade e um enorme prazer de escrever. Voltar à universidade onde eu, meu marido Miguel Macedo e nossos filhos estudaram – em um evento que comemora a cidade – foi uma felicitância sem igual”, emociona-se a escritora e jornalistas Ana Márcia Diógenes.
Ana Márcia Diógenes
O livro já está disponível para compra individual, assim como o Planner Fortaleza Amada 2026, criado para acompanhar o cotidiano com a memória e o imaginário da cidade sempre por perto.
Acesse o instagram da Editora UFC e saiba mais.
Semana que vem a gente continua falando desse projeto.
Lançamento de livro
Poeta do Sertão pernambucano lança livro de estreia em Fortaleza e celebra a palavra como verbo em movimento
A poeta pernambucana Taciana A. Ferraz lança em Fortaleza seu livro de estreia, Flor de Gerundiar, no dia quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, às 19h, na Livraria Leitura do Shopping Iguatemi. A obra, publicada pela Ganesha Edições, marca a chegada de uma nova voz da poesia nordestina ao circuito literário cearense.
Natural de Floresta (PE), entre os rios São Francisco e Pajeú, Taciana vive há mais de dez anos no Ceará e constrói uma escrita que nasce do Sertão, mas dialoga com experiências universais: o tempo, o amor, a fé, os recomeços e a travessia emocional. Em Flor de Gerundiar, a poesia se apresenta como estado contínuo — verbo em ação — convidando o leitor a habitar o presente e a escuta sensível do cotidiano.
Com texto de quarta capa assinado por Bráulio Bessa, um dos principais nomes da poesia popular brasileira, o livro reúne versos que transitam entre delicadeza e força, criando uma experiência que vai além da leitura, aproximando palavra e corpo, memória e afeto. “Taciana se despe de máscaras e permite que sua poesia toque o outro de maneira singular e verdadeira”, escreve o poeta.
O lançamento contará com a presença da autora para conversa com leitores e sessão de autógrafos.
SERVIÇO
Lançamento do livro Flor de Gerundiar, de Taciana A. Ferraz. Data: Quinta-feira, 22 de janeiro de 2026 Horário: 19h Local: Livraria Leitura – Shopping Iguatemi Fortaleza Entrada gratuita.
Informações e aquisição da obra: (85) 99824.9788 | flordegerundiar
Foto: Alan Souza