“Ciro foi ao nacional e fracassou e murcho voltou para o quintal”, aponta o jornalista Norton Lima Jr
Confira:
A AtlasIntel/Bloomberg de abril foi devastadora para Ciro Gomes. O dado que lascou: apenas 1,3% das intenções de voto para presidente no cenário com Lula e Flávio Bolsonaro; abaixo de Renan Santos, Zema, Caiado; perdendo para Samara Martins do Unidade Popular a liderança do bloco dos nanicos.
Para quem um dia nas presidenciais l de 2002 cravou 30-35% nas pesquisas, essa última significa, além da queda, um coice.
Desmoronou a narrativa de “terceira via viável”, de player relevante nacional. Ciro não é mais um gigante nacional. Foi preterido, o Brasil o descartou.
Ciro entrou na corrida presidencial de 2026 em alta conta e expectativa destacada por Aécio Neves. Sua performance nacional reforçaria a marca e oxigenaria a oposição ao governo do Ceará. Essa maior visibilidade nacional ia transferir votos. O resultado inverteu a equação. Esses minguados 1,3% nacional funciona como anticampanha estadual.
Tô do seu lado, mas se enfraquecer eu mudo. Assim falava Augusto Pontes e assim fala o tal Chaguinhas, que acertou mais uma, junto com o capitão Giovani Sampaio do Cariri.
Agora, o eleitor cearense médio pergunta: “Se o Brasil inteiro não quer Ciro, por que eu devo querer?”
A candidatura de Ciro ao governo do Ceará tinha como ativo central sua imagem de político de peso nacional, capaz de trazer protagonismo ao Ceará. Era o discurso contra Elmano, “o poste”, não percebido como protagonista.
Ciro foi ao nacional e fracassou e murcho voltou para o quintal. Isso transformou o Ceará em espécie de prêmio de consolação, narrativa politicamente tóxica e desmoralizante, seja na base política ou no apoio financeiro.
Em janeiro escrevi um artigo (“Ou Ciro ou piora”) alertando para a urgência de Ciro parar com as reticências e assumir-se candidato a governador do Ceará, porque estava em jogo a lealdade afetiva dos cearenses com os Ferreira Gomes.
Óbvio que a pretensão estadual ainda não foi contaminada pela presunção nacional. Mas será. Não há dúvidas que sem a premissa de astro-pop, a candidatura de Ciro ao governo do Ceará perdeu sua razão diferencial. E tornou-se o plano B de um político fracassado.
Norton Lima Jr é jornalista