Quem me acompanha semanalmente no podcast Cafezim com Literatura (exibido no Youtube e em todas as plataformas de áudio) sabe que há frases que não terminam quando o episódio acaba. São verdadeiras reflexões que continuam ecoando depois que o microfone é desligado e convidado vai embora, ficam pairando na memória como aquelas linhas sublinhadas num livro que a gente insiste em revisitar.
No Cafezim com Literatura, cada conversa é um território aberto. Falamos de escrita, de luto, de coragem, de publicação do primeiro livro, de sonhos adiados e retomados. Mas, no meio de tantas palavras, sempre há aquelas que brilham — pequenas sentenças que concentram uma história inteira. São os nossos melhores momentos. As pílulas. Os cortes que poderiam virar um Reels, mas que merecem também virar permanência.
Nesta semana, decidi reunir algumas dessas frases que atravessaram a mesa, atravessaram a escuta e ficaram. Porque a literatura, às vezes, se revela assim: em poucas palavras que dizem muito. E há algo de bonito em revisitar essas falas como quem revê uma cena favorita — não para repeti-la, mas para compreendê-la melhor.
Abaixo, o que eu escutei, vivi e compartilho com vocês agora:
– “Tem gente que quer escrever e não quer ler. Quer publicar e não quer ler. Não entendem que leitor e autor são faces da mesma moeda. Todo escritor precisa ser um grande leitor. As pessoas que vieram antes de você produziram muito. A literatura é uma corrida de obstáculos com passagem de bastão. NAda começa só com você. Você recebe e passa adiante com a sua contribuição”. (Marilia Lovatel – vencedora do Prêmio Barco a Vapor e finalista do Prêmio Kindle 2026)
– “Existe uma competição, principalmente no instagram, sobre quem lê mais. Eu acho que a literatura não é pra isso! A leitura me tirou de uma depressão. Quando eu me engajei em um clube de leitura, isso me ajudou muito, as conexões que fazemos com outros leitores são terapêuticas. Se as pessoas soubessem disso, leriam muito mais (Mirna Frota – escritora e organizadora do Clube de Leitura Leituras Paralelas).
– “Uma feira literária não é só sobre vender livros. É deixar o nosso trabalho na mente das pessoas. Mesmo que chegue alguém e pegue sua obra, folheie, mas não compre. Entregar um simples marcador de páginas a alguém é participar, na verdade, de um grande movimento, uma campanha pela literatura”. (Vera Marques – escritora selecionada em diversos editais municipais e estaduais).
– “Conseguir se firmar como escritora é um grande processo. As pessoas te invalidam muito. Eu já recebi até piada nas redes sociais. A Kelly Garcia me disse que nem todo mundo consegue dar a cara a tapa, enfrentar e se reconhecer como escritora. Poucos conhecem quão árduo é esse trabalho, antes mesmo de vender o livro. Quando você termina de escrever, há um longo caminho pela frente. Após o mergulho na história, existem as inseguranças, modificações do editor, leitura crítica. Tudo é muito cansativo”. (Juliana Marques – jornalista e autora de dois livros)
– “Eu sou o primeiro autor da minha cidade e esse título, pra mim, é até mais importante que o Prêmio Jabuti que eu ganhei. Eu escrevo o que eu gostaria de ler. Tento preencher alguns vazios com a minha literatura. Eu busco esse sertão contemporâneo, que não é coadjuvante, mas protagonista”. (Mailson Furtado – escritor premiado com o Jabuti, em 2019).
– “As pessoas pagam em um sanduíche, uma coca cola ou outras coisas também efêmeras o que não investem em um livro, daí a importância de estarmos presentes nas feiras literárias, lives e rodas de conversa. É uma oportunidade de levar a literatura para mais lugares”. (Ana Márcia Diógenes – jornalista e escritora, finalista do Prêmio Oceanos 2025).
– “Existe um tempo da criança que é valiosíssimo. Se esse tempo for roubado porque ela está nas telas, os prejuízos são irreparáveis, essa perda vai se acumulando com o passar do tempo. No colégio Farias Brito, temos o nosso momento de leitura, onde as crianças sentam nas almofadas para realizar a leitura. Elas têm liberdade para escolher os títulos, desde que apropriados para a sua série”. (Iêda Vasconcelos – supervisora pedagógica do Colégio Farias Brito)
– “A infância passa pela literatura e a literatura passa pelas infâncias. A criança de hoje é a mesma do meu tempo, pela capacidade de criar, de imaginar, que existe em cada uma delas, por isso, precisa ter esse acesso à literatura. Eu não tive esse acesso, então, tive a ideia de montar uma biblioteca comunitária na minha comunidade, Mulatão, onde muitos jovens já possuem celulares, mas não possuem livros. O alpendre da casa transformou-se em uma biblioteca de mais de oitocentos títulos”. (Cláudia Melo – escritora e doutoranda em literatura)
– “O Memórias Póstumas de Brás Cubas, meu livro preferido da vida, não é considerada uma obra fantástica, o que, pra mim, é um erro. O protagonista está morto! A liberdade que o protagonista tem para se expressar um vivo jamais teria à época, isso é muito fantástico. Esse é o realismo do Machado! Foi a forma de ele dizer o que ele pensa daquela sociedade”. (Wilson Júnior – escritor, articulador cultural e professor de escrita)
Os episódios do podcast Cafezim com Literatura podem ser conferidos, na íntegra, no Youtube https://www.youtube.com/@cafezimcomliteratura e nas plataformas de áudio, como o Spotify (https://l1nk.dev/rgW7J)
Cafezim com Literatura finalista
O canal de notícias do universo do livro “Elas publicam” promove a primeira edição do Prêmio “Elas Publicam”, que nasce para reconhecer mulheres que constroem o ecossistema do livro brasileiro: da escrita aos bastidores, da criação ao impacto social.
Mais do que uma premiação, este é um gesto de reconhecimento e posicionamento. O Prêmio Elas Publicam propõe olhar para o livro como um ecossistema sustentado por mulheres e tornar visível o trabalho que constrói, organiza e transforma esse campo.
Vocês acreditam que o nosso podcast cearense com apenas três meses incompletos já furou a bolha e está concorrendo com dois podcasts da região Sudeste e Centro Oeste?
O Cafezim com Literatura foi indicado por formadoras de opinião e é finalista da premiação que acontece no próximo dia 06 de março, no Rio de Janeiro \0/
Posso contar com a torcida de vocês?
Se der tudo certo, eu venho trazer uma Boa Nova aqui, mas de qualquer forma, já estamos de parabéns!!!!