A Fundação Waldemar Alcântara (FWA) lançará, às 19 horas desta quarta-feira (23), na Academia Cearense de Letras, a publicação em fac-símile de “O Tagarella – Jornal Livre, Crítico e Noticioso”, periódico que circulou em Fortaleza no ano de 1865. O ato ocorrerá dentro da programação de lançamentos organizada pela Fliman, reunindo autores, pesquisadores e interessados na literatura e na memória cultural cearense.
A publicação viabilizada pela FWA, por meio do Ministério da Cultura, coloca novamente à disposição do público as 22 edições de “O Tagarella”, preservando as características gráficas e editoriais do periódico original. Os exemplares utilizados para a publicação foram cedidos por Jorge Brito, colecionador, pesquisador e livreiro, reconhecido na própria edição como entusiasta do projeto.
Para Sílvia Furtado, da Fundação Waldemar Alcântara, recuperar a publicação significa ampliar o acesso a uma fonte importante para a compreensão da história cearense. “Ao trazer O Tagarella novamente ao público, preservamos não apenas um jornal, mas um retrato de uma época. Suas páginas revelam modos de fazer imprensa, disputas, costumes, linguagem e acontecimentos de uma Fortaleza do século XIX. Disponibilizar esse material é permitir que novas gerações conheçam e interpretem nossa história a partir dos registros produzidos naquele próprio tempo”, destaca.
Memória
Criado em fevereiro de 1865, O Tagarella prometia circular duas vezes por semana. Sua trajetória, entretanto, foi breve e marcada por interrupções: após 22 números, o jornal encerrou suas atividades em 27 de agosto daquele mesmo ano. Em suas páginas, criticava a imprensa local, que considerava submissa ao governo, e se apresentava como uma voz de oposição ao poder provincial.
O periódico também chama atenção pela linguagem provocativa e pela forte presença de recursos gráficos. Caricaturas, gravuras, sátiras, enigmas e textos de crítica política eram empregados para comentar personagens e acontecimentos da Fortaleza oitocentista. Entre suas seções estavam Crônicas, Teatro Popular e Enigmas, que combinavam texto e imagem de maneira pouco convencional para a época.
A edição conta ainda com uma Nota ao leitor, assinada por Cid Saboia de Carvalho, e texto de Lúcio Alcântara, que contextualiza o periódico e sua inserção na história da imprensa cearense. O próprio Cid Saboia relembra que a ideia de uma reedição fac-similar havia surgido décadas antes e que encontrou, posteriormente, acolhida na Fundação Waldemar Alcântara, possibilitando a publicação dos 22 números do jornal.
DETALHE – A ação integra o trabalho desenvolvido pela Fundação Waldemar Alcântara na preservação, pesquisa e difusão da memória do Ceará, aproximando documentos históricos do público contemporâneo e contribuindo para a manutenção de acervos fundamentais à compreensão da formação cultural, social e política do Estado.
SERVIÇO
*Lançamento de “O Tagarella – Jornal Livre, Crítico e Noticioso”
Academia Cearense de Letras – Rua do Rosário, nº 1, Centro – Fortaleza
Horário – 19 horas.