“Uma boa governança começa na originação dos ativos. A qualidade dos direitos creditórios determina o nível de risco da carteira”, aponta o administrador Fabiano Mapurunga
Confira:
O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vive um momento de expansão impulsionado pela busca por alternativas ao crédito bancário. Entretanto, à medida que o setor cresce, aumenta também a responsabilidade de seus participantes. Nesse cenário, a governança deixa de ser apenas uma exigência regulatória e passa a ser um dos principais fatores de criação — ou destruição — de valor.
Investidores costumam avaliar inicialmente a rentabilidade de um FIDC. Contudo, os fundos mais resilientes são aqueles que possuem processos robustos de governança, controles internos eficientes e uma cultura voltada à gestão de riscos. Rentabilidade sem governança pode gerar ganhos de curto prazo, mas dificilmente produzirá valor sustentável.
Uma boa governança começa na originação dos ativos. A qualidade dos direitos creditórios determina o nível de risco da carteira. Critérios rigorosos de concessão, validação documental, monitoramento contínuo e políticas claras de elegibilidade reduzem significativamente a probabilidade de perdas.
Outro aspecto decisivo é a transparência. Investidores não buscam apenas bons resultados; desejam compreender como eles são alcançados. Informações tempestivas, indicadores consistentes e comunicação clara fortalecem a confiança e reduzem a percepção de risco.
A evolução regulatória elevou ainda mais esse padrão. A Resolução CVM 175 reforçou a definição de responsabilidades entre administradores, gestores e demais prestadores de serviços, ampliando o foco em controles, prestação de contas e proteção aos investidores. Mais do que atender à norma, trata-se de construir um ambiente capaz de sustentar o crescimento.
A tecnologia tornou-se uma aliada indispensável. Inteligência artificial, análise de dados e monitoramento em tempo real permitem identificar desvios, antecipar inadimplência e fortalecer os controles. Governança eficiente depende, cada vez mais, de informações confiáveis e decisões baseadas em dados.
Para os CFOs das empresas cedentes, o desafio também aumentou. Demonstrações financeiras consistentes, controles internos sólidos e previsibilidade de caixa elevam a qualidade dos recebíveis e ampliam a confiança dos investidores.
Como dizia Peter Drucker, “a cultura come a estratégia no café da manhã”. Nos FIDCs, essa reflexão pode ser adaptada: a governança protege a estratégia todos os dias. Sem ela, até as melhores oportunidades podem transformar-se em perdas relevantes.
O futuro dos FIDCs pertence às instituições que entendem que governança não é custo, mas um ativo estratégico capaz de reduzir riscos, atrair investidores, fortalecer a reputação e transformar crescimento em geração consistente de valor.
Em um mercado cada vez mais sofisticado, a diferença entre um FIDC de excelência e outro vulnerável estará, sobretudo, na qualidade da governança que sustenta cada decisão.