Com o título “Histórias que eu vivi”, eis mais uma da lavra de Fabrício Moreira, advogado e escritor.
Confira:
Sou advogado há mais de 32 anos e exerço minha profissão todos os dias: do nascer do sol até a hora de dormir. Faço isso por vocação e paixão. O entusiasmo ainda é o mesmo de quando sentei pela primeira vez nos bancos da Universidade de Fortaleza, nos anos 90, e, nos intervalos, proseávamos com Antônio de Pádua, José Nunes, Fábio Nogueira e tantos outros colegas valorosos. Também me vêm à memória os tempos da Primeira Vara do Júri, em Fortaleza, no convívio com gente séria e respeitável, como os doutores Antônio Vieira (Defensor), Marcos de Holanda (Promotor) e Darival Bezerra (Juiz).
Pois bem. Das formalidades forenses às irreverências do cotidiano, entre condenações e absolvições, já perdi as contas. Como também não saberia dizer quantas vezes subi à tribuna do Tribunal Popular do Júri. E muitos me pedem para contar histórias vividas nesse universo jurídico, às vezes vibrante, outras nem tanto.
Certa feita, numa segunda-feira qualquer, uma família me procurou: um dos seus havia sido preso, acusado de ceifar a vida da própria esposa. Ele negava o crime, e sua versão não convergia com os laudos da PEFOCE. Mais adiante, consegui sua soltura antes do julgamento.
Até que, um dia, o acusado apareceu com uma ideia inusitada: pediu que eu ligasse para o programa do Silvio Santos e solicitasse, emprestada, a famosa “MÁQUNA DA VERDADE”, para provar que havia ocorrido um suicídio, e não um homicídio. Tentou, inclusive, contato com o apresentador, mas sem êxito.
No fim, teve de sentar no banco dos réus. A pena acabou fixada no regime semiaberto, até porque ele já havia cumprido longo período de prisão temporária. E a tal “MÁQUINA DA VERDADE”, se tivesse mesmo vindo parar em Icó, talvez apenas confirmasse a denúncia do Ministério Público.
*Fabrício Moreira
Advogado e escritor.