“A trajetória do Presidente Lula se encontra com o próprio país. Uma história que começou na luta coletiva e que, agora, se projeta como construção do futuro”, aponta o ministro José Guimarães
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O lançamento da candidatura do Presidente Lula à reeleição, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, foi mais do que o início formal de uma campanha. Foi o desenrolar do fio da história da luta pela democratização e pela nossa soberania, que consolidou a liderança do Presidente Lula e a transformação política, econômica e social do Brasil nas últimas quatro décadas.
O reencontro com a própria origem, iniciada nas fábricas, nas grandes assembleias, no chão quente da política do ABC paulista, uniu o passado ao presente, nas vozes de trabalhadoras e trabalhadores, ganhou corpo e coragem. O Presidente Lula projetou o futuro, como quem revisita o passado, sem nostalgia, mas com responsabilidade. Um futuro com as conquistas de direitos, soberania tecnológica e desenvolvimento sustentável com justiça social e ambiental.
Nos anos de chumbo, de opressão e arbítrio, a liderança política do Presidente Lula ultrapassou o silêncio imposto pela ditadura, se fez com escuta, diálogo e resistência democrática. A luta por salário digno era também luta por liberdade. E foi da urgência e esperança que surgiu uma das figuras mais marcantes da história política brasileira.
Como deputado constituinte, entre 1987 e 1988, o Presidente Lula participou de um dos momentos mais elevados da redemocratização. A Assembleia Nacional Constituinte foi um espaço de disputa e de construção, onde o país tentava, ainda tomado pelo medo do retrocesso, afirmar definitivamente a conquista do Estado Democrático de Direito. Daquele esforço coletivo nasceu a Constituição de 1988, que especialistas reconhecem como uma das mais avançadas do mundo, por consagrar direitos humanos, consolidar a institucionalidade e ampliar o horizonte da cidadania.
A presença do Presidente Lula naquele processo não foi apenas institucional. Foi a expressão de uma forma de fazer política que nasceu da luta nas ruas pela democracia e por direitos. Sua trajetória revela uma constante: capacidade de transformar o sofrimento coletivo em agenda pública e de converter reivindicações no projeto de país justo e solidário sonhado. É essa linha contínua, entre o povo e Estado, que atravessa toda a sua vida política.
Nos três mandatos presidenciais, esse sonho de um país sem fome, sem pobreza, justo, democrático e soberano está em plena construção. O país cresceu, saiu do Mapa da Fome, da ONU, investe numa ampla rede de programas de transferência de renda, na valorização do salário mínimo, na justiça tributária, na expansão do acesso à educação e à saúde pública redesenhou a relação entre Estado e sociedade e reposicionou o Brasil na geopolítica global. A ideia de que o pobre deve estar no orçamento deixou de ser slogan e se tornou um dos principais eixos do projeto nacional de desenvolvimento.
A retomada do planejamento estatal, hoje expressa no Novo PAC, reforça essa mesma lógica. Infraestrutura deixa de ser apenas obra e passa a ser estratégia: estradas, ferrovias, portos, energia, saneamento, habitação, ciência, tecnologia e inovação, são articulados como partes de um mesmo desenho de futuro. Há, nessa escolha, a convicção profunda e elementar, de que nenhum país se desenvolve sem capacidade de planejar o próprio futuro.
Nesse horizonte, surge uma dimensão cada vez mais decisiva: a soberania tecnológica. O Brasil detém a segunda maior reserva de minerais críticos e terras raras do mundo, elementos essenciais para a transição energética e para as tecnologias do século XXI. O desafio é transformar recursos naturais em conhecimento, e conhecimento em indústria, inovação e autonomia.
É nesse ponto que a política mineral se encontra com o projeto do governo de nova industrialização. Ao defender que o país participe de todas as etapas da cadeia produtiva, o governo projeta um Brasil que não se limita a exportar matéria-prima, mas que busca produzir valor agregado e soberania tecnológica. Em um gesto simbólico, ao inaugurar novas linhas de pesquisa no Projeto Sirius, o Presidente Lula reafirmou que soberania não é palavra abstrata. É decisão concreta sobre ciência, inovação e desenvolvimento.
O desafio, no entanto, é maior do que aparenta. Trata-se de encadear etapas para transformar riqueza natural em conhecimento, conhecimento em tecnologia, tecnologia em indústria e indústria em trabalho qualificado. É uma mudança das mais profundas da história econômica do país.
Essa visão não se separa da ideia de desenvolvimento sustentável. Ao contrário, ela a incorpora. A transição energética, a proteção ambiental e a industrialização podem caminhar juntas, desde que haja planejamento e capacidade de coordenação. O futuro, nesse sentido, não é uma escolha entre crescer ou preservar, mas a tentativa de fazer as duas coisas ao mesmo tempo, com inteligência e responsabilidade.
A trajetória do Presidente Lula, vista em perspectiva, é também a construção de um projeto nacional para o Brasil. Um país que não precisa abrir mão de si para se desenvolver. Que não precisa escolher entre inclusão e crescimento, entre soberania e integração, entre indústria e meio ambiente. O desafio é justamente o contrário: encontrar uma síntese possível entre esses caminhos.
Foi essa sensação de continuidade que marcou o ato em São Bernardo do Campo. Ao voltar ao lugar onde tudo começou, o Presidente Lula não apenas relembrou sua história. Ele a colocou em movimento outra vez. O lema “O Brasil pronto pra mais” é um convite à mobilização nacional para continuidade do projeto de superação da vergonhosa desigualdade no nosso país e construção do projeto nacional.
Depois de participar da Constituinte, governar o país em três mandatos e recolocar a inclusão social no centro do debate público, o Presidente Lula chega a este momento com uma nova proposta: transformar soberania econômica e tecnológica em futuro.
O Brasil tem terra, gente, ciência, energia e indústria. O que está em disputa é a capacidade de organizar tudo isso em um projeto perene. Minerais críticos, terras raras, pesquisa científica e reindustrialização podem ser peças de uma mesma engrenagem, se houver direção, continuidade e visão de longo prazo.
No fundo, a pergunta que atravessa esse momento não é apenas eleitoral. É histórica: que país o Brasil quer ser? A resposta não está pronta. Mas ela depende da capacidade de transformar riqueza em oportunidade, conhecimento em desenvolvimento e desenvolvimento em vida digna.
É nesse ponto que a trajetória do Presidente Lula se encontra com o próprio país. Uma história que começou na luta coletiva e que, agora, se projeta como construção do futuro. Um futuro em que o crescimento não seja fim em si mesmo, mas caminho para algo mais simples e mais difícil: um Brasil mais justo, mais desenvolvido e, sobretudo, soberano.
José Guimarães
Advogado, deputado federal (PT-CE) e ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República