Com o título “Lulopetismo: o fim de uma tragédia política”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “A situação eleitoral de Lula não é de mera instabilidade, mas de corrosão acelerada. A análise estratificada dos dados, por região, faixa etária e recorte social, projeta um quadro sombrio para o projeto de poder lulopetista”, expõe o articulista.
Confira:
Os últimos dias do mês de março de 2026 entrarão para a história política brasileira como o ponto de inflexão da sucessão presidencial. A divulgação de sucessivas pesquisas eleitorais e de avaliação governamental expôs, de forma contundente, o colapso da candidatura de Lula da Silva. Longe de estabilidade nas pesquisas, os indicadores revelam um cenário de erosão acelerada de sua base de apoio. Para o desespero do lulopetismo, a ascensão do Flávio Bolsonaro mostra-se irreversível, consolidando-se como líder absoluto nas simulações de segundo turno.
A situação eleitoral de Lula não é de mera instabilidade, mas de corrosão acelerada. A análise estratificada dos dados, por região, faixa etária e recorte social, projeta um quadro sombrio para o projeto de poder lulopetista. Em apenas 90 dias, Flávio Bolsonaro avançou mais de 10 pontos percentuais nas intenções de voto em nível nacional, sinalizando uma migração consistente e ideologicamente afastada do wolkismo e do indentitarismo idiotizado. Os dados do PoderData confirmam que a desaprovação à gestão petista atingiu a marca crítica de 61%, contra parcos 31% de aprovação, configurando uma tendência de derretimento político de difícil reversão.
Nem mesmo o Nordeste permanece imune a esse fenômeno de rejeição. Levantamentos do Instituto AlfaIntel indicam que, no último trimestre, Flávio Bolsonaro registrou um crescimento de 13 pontos percentuais na região. Esse aumento da desaprovação sinaliza que o governo do ex-presidiário enfrenta um quadro de decepção e cansaço estrutural em seu reduto mais fiel.
No Sudeste, o cenário de isolamento se agrava. Em São Paulo, no maior colégio eleitoral do país, 59,5% desaprovam o governo Lula, aponta o Instituto Veritá. O Instituto AtlasIntel, por sua vez, revelou uma significativa ruptura geracional entre jovens de 16 a 24 anos. Nessa faixa etária, rejeição ao lulopetismo alcança a marca avassaladora de 72%. O derretimento do apoio se estende também ao campo religioso, onde o governo sofre perdas significativas. Lula apresenta declínio acentuado entre evangélicos e, de forma inédita, perde espaço entre os católicos, segmento no qual sua intenção de voto caiu de 63% para 48%. Trata-se de um indicador particularmente devastador para um partido que teve sua origem gestada nas sacristias da Igreja “progressista”, e que agora enfrenta rejeição em suas próprias bases históricas.
A repercussão desse declínio ultrapassou as fronteiras nacionais, ecoando com muita intensidade em veículos de grande projeção internacional, como Bloomberg, Financial Times, New York Times, The Guardian e Le Monde, que destacaram o favoritismo de Flávio Bolsonaro, associando o desempenho de Lula a um quadro de esgotamento político e administrativo.
No plano interno, o distanciamento da grande mídia da candidatura do Lula contribui para aprofundar o isolamento do Planalto. Analistas políticos que outrora atuavam na contenção de críticas ao governo já admitem, de forma aberta, a possibilidade de uma desistência estratégica de Lula da disputa eleitoral. A revista Veja, na sexta6feira, 03, já conta como certa a sua desistência. A UOL, que defendia com veemência todas as aberrações do governo Lula, já admite que o Flávio poderá ser eleito ainda no primeiro turno. A metáfora da “carroça velha”, utilizada por comentaristas da GloboNews para caracterizar a atual gestão, sintetiza a percepção crescente de um governo decadente, anacrônico, ineficiente e desprovido de qualquer projeto nacional.
A analogia comportamental entre Joe Biden e Lula, evocada pela Bloomberg, se revela, sob diversos aspectos, pertinente. As reiteradas declarações desastradas do presidente Lula têm sido interpretadas como indícios concretos da sua deterioração cognitiva. Elas, por sinal, já se incorporam ao folclore político nacional.
Relembrem algumas dessas pérolas:
Em cerimônia oficial de sanção da Lei Antifacção, Lula agradeceu: “Parabéns a todos que contribuíram para que o Brasil seja um dos países mais respeitados no mundo do crime organizado”. Em entrevista concedida em Jacarta, na Indonésia, ele revelou: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são, sabe, vítimas dos usuários também”. Já em Cabo Verde, agradeceu “por tudo que foi produzido durante 350 anos de escravidão no Brasil”. Em outra ocasião, sugeriu que “o homem não deve bater em sua mulher em casa, exceto se for corinthiano; se quiser bater, vá bater em outro lugar”. Contudo, talvez o episódio mais emblemático dessa grave regressão cognitiva ocorreu em São Carlos, quando o presidente Lula, em gesto caricatural, correu empunhando uma maquete de avião, numa encenação que evocou o personagem da Escolinha do Professor Raimundo “Galeão Cumbica”, expondo que já não observa nenhuma das liturgias do cargo.
Diante desse quadro de esgotamento político e de crescente isolamento social, a hipótese de reeleição de Lula da Silva deixa de habitar o terreno da mera improbabilidade para ingressar, de forma definitiva, no domínio da inviabilidade histórica. A corrosão de sua base tradicional, outrora coesa e mobilizada, somada à rejeição contundente nos setores produtivos, nas comunidades religiosas e entre parcelas expressivas da juventude, não apenas fragiliza, mas sentencia o ciclo lulopetista a um desfecho inexorável: o lixo da história.
*João Arruda
Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.
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Artigo cirúrgico do professor João Arruda. O que mais me impressionou foi o recorte geracional. 72% de rejeição entre jovens de 16 a 24 anos é um dado que derruba qualquer narrativa de que o antipetismo é coisa de “velho”. A ruptura com os católicos também é simbólica demais: um partido que nasceu dentro da Igreja progressista perdendo esse eleitorado diz muito sobre o que esse governo se tornou. A comparação com Biden não é à toa, o desgaste cognitivo sendo discutido abertamente já é, por si só, um sinal político gravíssimo. O ciclo chegou ao fim?
O professor não deixa escapatória nessa análise. O dado que trava minha cabeça é que o Nordeste, reduto histórico do PT, vê o Flávio Bolsonaro crescendo 13 pontos em um trimestre. Isso não é oscilação, é migração estrutural. E o abandono da mídia que blindava o governo é o termômetro mais honesto de todos, quando o UOL admite que Flávio pode ganhar no primeiro turno é porque o jogo virou de vez, só acredita quem não quer ver.